Wednesday, January 8, 2014

FUNDOS SOBERANOS: "A CIGARRA E A FORMIGA"

O Fundo Soberano do Brasil (FSB) é novo. Criado pela Lei 11.887, de 24 de dezembro de 2008, o FSB tem natureza jurídica definida como “fundo especial de natureza contábil e financeira, vinculado ao Ministério da Fazenda”. Foi regulamentado pelo decreto 7.055, de 28 de dezembro de 2009, que, entre outras provisões, determinou que a rentabilidade mínima de aplicações no exterior deveria ser equivalente à taxa Libor de seis meses; e que as aplicações em ativos financeiros no Brasil deverão ter rentabilidade mínima equivalente à Taxa de Juros de Longo Prazo.

O aporte inicial ao Fundo foi realizado em 30 de dezembro de 2008, por intermédio da emissão de títulos do Tesouro Nacional, totalizando pouco mais de R$ 14 bilhões, quando simultaneamente integralizou cotas do Fundo Fiscal de Investimentos e Estabilização – FFIE, fundo multimercado exclusivo, que tinha como ativos subjacentes ações do Banco do Brasil e da Petrobras. Em 2012, sacou-se cerca de R$ 10,5 bilhões, fazendo com que o FSB se tornasse menor do que o Fundo Peruano, Chileno e mesmo de Botswana, grande produtor mundial de diamantes.

Se nosso objetivo era nobre (especificado na sua lei de regência como “a promoção de investimentos em ativos no Brasil e no exterior, a formação de poupança pública, a mitigação dos efeitos dos ciclos econômicos e o fomento de projetos de interesse estratégico do país localizados no exterior”), nosso comportamento foi mundano e imediatista, já que o saque ocorreu para que a meta fiscal do ano fosse cumprida.

Há algumas observações relevantes sobre o assunto. Talvez a mais óbvia é que um fundo não é uma conta-corrente da qual se deva (ou mesmo se possa) sacar. É claro que qualquer fundo possa ter relevância na administração fiscal e monetária mediata, mas, como estratégia de investimento, ele deve mirar o longo prazo. Vamos tomar como exemplo a China, que, por meio da China Investment Corporation (com ativos de U$ 575 bilhões), investe em companhias prospectoras de matérias-primas na África, pela simples e boa razão de ser país pobre em alguns recursos naturais e tem sentido estratégico, no seu plano de desenvolvimento, garantir o acesso a tais produtos. Outros, como o Abu Dhabi Investment Authority, com U$ 627 bilhões de ativos, pretendem investir em infraestrutura onde há demanda e retornos elevados (por exemplo, o Porto Sudeste, que pertencia a MMX).

Por esta razão, o FMI publicou certos princípios de acumulação, saques e investimento (conhecidos como “Princípios de Santiago”, cidade que sediou a reunião, em setembro de 2008), tentando estimular transparência, independência do Executivo, governança e regras de conduta. Pode-se achar que é coisa de país rico e produtor de petróleo, mas estatísticas mostram que dos estimados U$ 5 trilhões de fundos soberanos em 2012, cerca de R$ 2,1 trilhão vinham de países como o Brasil, que pouco geram de superávits comerciais.

Mas o exemplo a seguir vem de um país nórdico, que produz petróleo e que, diferentemente da Venezuela, usa seus recursos de uma maneira muito mais inteligente (e menos política). O Fundo de Pensão do Governo da Noruega (que antes se chamava Fundo de Petróleo da Noruega) é o maior do planeta, com U$ 784 bilhões, e, apesar do nome, suas contribuições não vêm dos futuros pensionistas, mas de impostos sobre lucros da indústria petroleira, além de concessões para exploração e refino de petróleo. Tem uma política de investimento definida e pública: pode investir até 5% em imóveis, 60% no mercado internacional de ações e o restante em títulos públicos do governo. O fundo adota políticas altamente controversas, de acordo com o seu Conselho de Ética, que proíbe investimentos em companhias consideradas “contribuidoras” diretas ou indiretas para morte, tortura, privação da liberdade ou mesmo outras violações de Direitos Humanos (conceito que acaba por equiparar companhias de cigarros àquelas que exploram mão de obra escrava, por exemplo).

Mas o ponto central é a sua preocupação com gerações futuras. O Statens pensjonsfond – Utland, (SPU), seu nome original, não usa os vultosos recursos para populismo ou projetos estatais – ao contrário, investe nos mercados financeiros e tem sempre em mente retornos compatíveis com o risco, mais a acumulação do capital.

Apesar de não ter sido norueguês, há uma fábula, recontada por Jean de La Fontaine (escritor francês que viveu no séc. XVII), “A cigarra e a formiga”, que ilustra bem as diferenças entre Noruega e Brasil: tendo a cigarra cantado durante o verão, apavorou-se com o frio do inverno. Sem mosca ou verme para se alimentar, com fome, foi ver a formiga, sua vizinha, pedindo-lhe alguns grãos para aguentar até vir uma época mais quentinha. “Eu lhe pagarei”, disse, “antes do verão, palavra de animal, os juros e também o capital”. A formiga não gosta de emprestar. É esse um de seus defeitos. “O que você fazia no calor de outrora?”, perguntou-lhe ela com certa esperteza. “Noite e dia, eu cantava no meu posto, sem querer dar-lhe desgosto”. “Você cantava? Que beleza! Pois, então, dance agora!”(Blog Fernando Nogueira Costa).

Monday, January 6, 2014

A FEIRA DA CEAGA DE GARANHUNS

POEMA ALMAS PERFUMADAS

Carlos Drumond de Andrade

Linda mensagem  da minha querida  amiga Selma Mello,
belas palavras. Selma Mello e Anchieta Gueiros na entrega
do Troféu Mauro Souza Lima .


Tem gente que tem cheiro
de passarinho quando canta,
de sol quando acorda,
de flor quando ri.

Ao lado delas,
a gente se sente no balanço de uma rede
que dança gostoso numa tarde grande,
sem relógio e sem agenda.

Ao lado delas,
a gente se sente comendo pipoca na praça,
lambuzando o queixo de sorvete,
melando os dedos com algodão doce
da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro
de colo de Deus,
de banho de mar
quando a água é quente e o céu é azul.

Ao lado delas,
a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.

Ao lado delas,
a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo,
sonhando a maior tolice do mundo
com o gozo de quem não liga pra isso.

Ao lado delas,
pode ser abril,
mas parece manhã de Natal,
do tempo em que a gente acordava
e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro
das estrelas que Deus acendeu no céu
e daquelas que conseguimos acender na Terra.

Ao lado delas,
a gente não acha que o amor é possível,
a gente tem certeza.

Ao lado delas,
a gente se sente visitando um lugar feito de alegria,
recebendo um buquê de carinhos,
abraçando um filhote de urso panda,
tocando com os olhos os olhos da paz.

Ao lado delas,
saboreamos a delícia do toque suave
que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro
de cafuné sem pressa,
do brinquedo que a gente não largava,
do acalanto que o silêncio canta,
de passeio no jardim.

Ao lado delas,
a gente percebe que a sensualidade
é um perfume que vem de dentro
e que a atração que realmente nos move
não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.

Ao lado delas,
a gente lembra que no instante em que rimos
Deus está conosco, juntinho, ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Tem gente como você,
que nem percebe como tem a alma perfumada
e que esse perfume é dom de Deus. 

Thursday, December 26, 2013

ROBERTO CARLOS E DOMINGUINHOS - O BAILE DA FAZENDA

EXEMPLO DE FÉ: A LUTA DE UM GUERREIRO

Ilai Freitas

Wallyson e Ilai

Primeira vez que vejo meu irmão depois da bombástica notícia! Posso conseguir ser um homem bem sucedido, realizar meus sonhos de criança, dar uma boa vida para meus filhos, para minha esposa, ser um homem amado por todos, atingir todos os meus objetivos, enfim... De todas as coisas boas que aconteceram na minha vida, sejam elas quais forem, em nenhuma delas minha alegria será completa se não ver meu irmão fora dessa cama de hospital, ou de qualquer outro que seja.

Então meu irmão, luta meu guerreiro!  luta com todas as tuas forças! luta com aquela mesma fé que você me ensinou! porque tem um grande exército aqui fora lutando com você e querendo te ver mais uma vez vitorioso!

Wednesday, December 25, 2013

A HISTÓRIA DA FAMÍLIA GUEIROS


EXCELENTE CHÁCARA E BALNEÁRIO


Você que sonha com um negócio próprio, com total independência financeira, poderá adquirir esse excelente ponto comercial. 
A chácara/balneário/churrascaria já conta com toda estrutura, com a compra, estamos ofertando freezers, geladeira e outros materiais. O ponto comercial está em ótima localização, parada constante de viajantes entre Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Mais informações, pode entrar em contato comigo pelo  Facebook ou através dos telefones listados.

CONCURSO NA CÂMARA MUNICIPAL DE GARANHUNS


O Diário Oficial desta véspera de Natal traz uma notícia que vai agradar a muitos Garanhuenses. É que a Câmara de Vereadores de Garanhuns definiu, através de dispensa de licitação, a organizadora do Concurso Público que àquele órgão promoverá no inicio de 2014. Trata-se do Instituto de Apoio à Universidade de Pernambuco – IAUPE.

O Instituto ficará responsável pelo planejamento, organização e execução do certame, que deve colocar em disputa cerca de 30 vagas, distribuídas nos cargos de Analista Legislativo, Agente Administrativo, Técnico em Informática, Técnico Administrativo, Auxiliar Administrativo, Copeira, Recepcionista, Auxiliar de Serviços Gerais e Guarda Patrimonial.
Com essa ação, o Presidente da Câmara, o vereador Audálio Ramos Filho (PSDC) cumpre uma recomendação do Ministério Público, que vem cobrando do Governo Izaías Régis (PTB) e da gestão Audálio a realização de Certames Públicos para democratizar o acesso ao serviço público. (Blog do Carlos Eugênio).

Tuesday, December 24, 2013

É NATAL... QUE ESTE, SEJA O NATAL DE RENASCIMENTO DO AMOR FRATERNO...


Monday, December 23, 2013

PARTICIPE: "O QUE MEDE A VIDA NÃO É O TEMPO, MAS O USO QUE FAZEMOS DELE PARA AJUDAR O NOSSO PRÓXIMO"


2014 SERÁ O ANO DO CONCURSO PÚBLICO


O Jornal do Commercio deste domingo publicou reportagem de página inteira, no caderno de economia, mostrando que 2014 será o Ano do Concurso Público. Mais de quatro mil vagas estão previstas em Pernambuco e todo país, com seleções que serão feitas pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, Ministério da Fazenda, Prefeitura do Recife e Empresa dos Correios.

É bom frisar que na região do Agreste Meridional muitos municípios devem realizar concurso público ainda no primeiro semestre do próximo ano. Garanhuns, Caetés, Capoeiras e Saloá estão dentre as cidades que devem fazer seleção pública. Estas não entraram na listagem do JC.

Abaixo uma relação publicada no jornal da capital com os principais concursos já autorizados pelos órgãos de Planejamento:

- Assembleia Legislativa de Pernambuco: 100 vagas, com salários de R$ 4.780,74 a R$ 11.315.33.

- Ministério da Agricultura: 786 vagas, com salários de R$ 2.570 a R$ 11.500.

- Prefeitura do Recife: 1.400 vagas para guarda municipal. Salário a partir de R$ 1.082,82.

- Prefeitura de Jaboatão: 2. 487 vagas, diversos cargos. Salário de R$ 805 a R$ 3.000.

- Ministério da Fazenda: 1. 026 vagas para assistente técnico-administrativo. Salário: R$ 2.802.

- Câmara Federal: 123 vagas em diversas funções com salários apetitosos a partir de R$ 15 mil.

- Instituto Chico Mendes: 271 vagas para técnico e analista. Salário: R$ 2.935 a R$ 5.761.

- Ministério do Trabalho: 450 vagas para agente administrativo e contador. Salário: De até R$ 3.980.

- Fundação Oswaldo Cruz: 400 vagas para diversos cargos. Salários de R$ 2.701 a R$ 14.440.

Há previsões ainda de concurso público na Caixa Econômica Federal, Ministério do Desenvolvimento, Ministério do Planejamento, Receita Federal, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Nesses órgãos ainda não há a autorização e prazo certo. Possivelmente todos os concursos serão realizados meses antes das eleições. A maioria disponibiliza vagas para Pernambuco.(Blog do Roberto Almeida).

Saturday, December 21, 2013

MOURINHA DO FORRÓ - SAUDADES DE DOMINGUINHOS

O AMIGO DA ONÇA


O famoso personagem "O Amigo da Onça" foi criado pelo cartunista pernambucano Péricles de Andrade Maranhão, em 1943, e publicado de 23 de outubro de 1943 à 3 de fevereiro de 1962. Os diretores da revista O Cruzeiro queriam criar um personagem fixo e já tinham até o nome, adaptado de uma famosa anedota.
Satírico, irônico e crítico de costumes, o Amigo da Onça aparece em diversas ocasiões desmascarando seus interlocutores ou colocando-os nas mais embaraçosas situações.

Friday, December 20, 2013

PARTIU NA MANHÃ DESTA SEXTA-FEIRA, REGINALDO ROSSI.

Mais uma majestade deixa seu trono. Partiu, na manhã desta sexta-feira, Reginaldo Rodrigues dos Santos Rossi. Nosso Reginaldo Rossi. O Rei da música brega brasileira. Sua música e sua performance cheias de irreverência certamente deixarão muitas saudades para os milhões de fãs de Pernambuco e do país inteiro. A carreira foi extensa. Grandiosa. Começou em 64 quando a linguagem do rock feito aqui em Recife falou para o Brasil inteiro através da Jovem Guarda. Em todo o seu acervo musical, Rossi cantou essencialmente o amor em todas as suas vertentes: o alegre, o sofrido, o brincalhão, o sensual. Pelo Rei, muitos "brotos" se derreteram ouvindo o balanço do brega, dançando de rosto colado com o par amado. "Se Meu Amor Não Chegar", "Garçom", "A Raposa e as Uvas", "Deixa de Banca", "Tô Doidão", "Mon Amour, meu bem, ma Femme"... Reginaldo Rossi deixou um legado. Forte. E sempre que alguém tocar os seus sucessos, a reverência será garantida. A voz de timbre inigualável de Reginaldo Rossi estará sempre nas lembranças mais alegres dos embalos das mesas de bar.(Fonte: Diário de Pernambuco)

Thursday, December 19, 2013

PAPA ACOLHE PEDIDO DE CANONIZAÇÃO DE JOSÉ DE ANCHIETA

O cardeal-arcebispo de Aparecida, no Vale do Paraíba (SP), e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Raymundo Damasceno Assis, afirmou nesta quarta-feira (18) que o beato José de Anchieta poderá ser canonizado em 2014. "Eu tive a honra e a alegria de receber um telefonema pessoal do Santo Padre para dizer, justamente, que acolhia positivamente o pedido de canonização", disse. O Apóstolo do Brasil já havia sido beatificado pelo papa João Paulo II, em Roma, em 22 de junho de 1980.

A resposta, de acordo com d. Raymundo, contempla um pedido enviado recentemente a Francisco pela CNBB para que fosse avaliada a possibilidade de canonização "deste santo tão importante em terras brasileiras". A data da canonização ainda não está definida, mas pode ser que ocorra ainda em 2014.

"Ao responder positivamente, o papa nos enche de alegria e satisfação, principalmente nos locais por onde ele passou: São Paulo, Espírito Santo e Bahia. Ele é uma pessoa que marcou a nossa história desde o início", afirmou o arcebispo. Anchieta ficou conhecido como o "Apóstolo do Brasil", pois, de acordo com d. Raymundo, "foi um grande missionário, que merece ser colocado como modelo de seguimento do Evangelho".

O beato, que nasceu em Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha), em 19 de março de 1534, chegou ao Brasil em 1551 e ainda noviço, em 25 de janeiro de 1554, participou da fundação da Vila de Piratininga, berço da futura metrópole de São Paulo, no atual Pateo do Collegio.

Paz e fraternidade - D. Raymundo, que estava acompanhado do bispo-auxiliar de Aparecida, d. Darci José Nicioli, comentou também a mensagem de Francisco para 1º de janeiro, quando se comemora também o Dia Mundial da Paz, instituído pelo papa Paulo VI, em 1968. "A paz só pode começar quando eu conseguir ver no outro um irmão, igual a mim, criado à imagem de Deus e resgatado pelo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Enquanto não se tem essa visão do outro, fica difícil a paz", afirmou, ao se referir ao tema deste ano: "Fraternidade, Fundamentos e Caminhos para a Paz". 

Outra questão abordada pelo arcebispo de Aparecida foi a Campanha da Fraternidade de 2014, cujo tema "Fraternidade e Tráfico Humano", foi destacado como um "itinerário" para a libertação pessoal, comunitária e social. "Pessoas são violentadas na sua liberdade, muitas vezes por razões econômicas", disse. De acordo com d. Raymundo, "o tráfico humano certamente é fruto da cultura que vivemos e a campanha, ao trazer luz para esse verdadeiro drama humano, deseja despertar a sensibilidade de todas as pessoas de boa vontade". "A cultura do bem estar individual nos torna insensíveis ao grito dos outros."

D. Raymundo afirmou que essa cultura leva as pessoas a se sentirem como "bolhas de sabão", que são bonitas, "mas não são nada, são pura ilusão" e cultivam a indiferença. "Caímos na globalização da indiferença", disse.

Família - O presidente da CNBB se referiu também à assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos, a realizar-se de 5 a 19 de outubro, com o tema "Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização". É o mesmo assunto da assembleia ordinária a realizar-se em 2015, mas terá como foco os desafios pastorais para a evangelização relacionados com a família. 

O tema é motivo de uma pesquisa nas paróquias e dioceses, com questões relacionadas à família. "O papa e os bispos querem conhecer a realidade da família para encontrar respostas, à luz do Evangelho e dos documentos da Igreja, para as situações concretas que estamos vivendo no mundo de hoje. A Igreja não pode fechar os olhos para essa realidade", afirmou.(FONTE: JC ONLINE).

DIÁRIO DE PERNAMBUCO NOTICIOU EM 25 DE ABRIL DE 1896

Portão do Cemitério de Brejão, construído na
administração do Prefeito  Cel. José de Almeida
Filho em 1920.
Terminada a eleição em Brejão de Santa Cruz, um grupo de malfeitores, emboscado, atirou em um eleitor que  retirava em companhia do capitão Augusto Cesário de Araújo, que obrigado entrou na luta, recebeu ferimentos, falecendo horas depois, também o mesmo aconteceu com o sobrinho e uma irmão deste. Come se vê, além de informações oficiais, os fatos de Brejão de Garanhuns nenhuma ligação tiveram com o pleito eleitoral, que ocorreu em paz em todas as seções   do referido município.

GARANHUNS: AVENIDA SANTO ANTONIO EM 12 DE OUTUBRO DE 1965


CURIOSIDADES DO TEMPO ANTIGO: DE QUE ANO SERÁ ESSA ESMOLA?


RETALHOS DO COTIDIANO: PEDRO DA SILVA MAIA

Capitão Tomaz da Silva Maia. Governou Garanhuns por
poucos meses, começou o calçamento da Avenida
Santo Antonio, ano de 1936.
Marcílio Reinaux



Eu era muito pequeno; talvez com 5 ou 6 anos de idade, quando despertei para a vida e Pedro Maia já namorava a minha irmã Alcione. Ele devia ter na época 23 ou 24 anos, pois nascera em 1916. Após onze anos de namoro e noivado Pedro Maia e Alcione casaram-se aqui mesmo em Garanhuns. Havia na época muitos problemas com a nossa família. Meu pai Antonio Reinaux, havia falido, com a sua casa de peças de automóveis, a Agência Reinaux. Mas este não era o único problema: minha mãe Francisquinha havia adoecido de grave enfermidade e os médicos recomendaram que ela se mudasse de Garanhuns. Fomos todos para o Recife, mas meu pai ficou em Garanhuns, tocando o que ainda restava da loja, durante alguns anos. A casa desfeita, Alcione trabalhando na Coletoria Federal com o Sr. Câmara, seria a única pessoa da nossa família que ficaria aqui. Ficou tomando conta do pai e também preparando-se para um casamento simples, sem pompas, mas muito bonito, onde tudo foi feito com muito amor e carinho, por ela mesma.

Pedro Maia trabalhava com o irmão Deusdedith numa grande mercearia do centro da cidade, na Avenida Santo Antonio. Lembro-me muito bem dele nessa época: comprido, magro, vasta cabeleira negra, muito tímido no falar e modesto no agir, atitudes estas que o caracterizariam toda a vida. Morou em diversos lugares: na Rua Santos Dumont, na 13 de Maio, na Rua do Recife e em outros. No tempo do Colégio Quinze, estudara com Bety, minha outra irmã, Dinah, outra, que veio a se casar com Polion Gomes, também  moço de Garanhuns. Da sua turma Pedro tinha como amigos: Geronço, Ozires, Venceslau, Polion, Beneen, Augusto Pinto, Erasto Vitalino. Da sua turma também ainda fazia parte seus irmãos Deusdedith e José Maia. Sobrinhos como José Yaporan, Waldimir (Vadô), Ronildo eram de gerações mais novas. Pedro Maia a essa época gostava  muito de jogar bilhar e Snooker na AGA. Aliás da AGA foi membro, Diretor e Conselheiro durante muitos anos, tendo inclusive jogado na mocidade um razoável futebol. Mas era de voleibol que gostava de jogar e jogava bem, face à sua altura. Embora não cantasse, era um grande amante da música, especialmente das Serestas cantadas pelo cancioneiro de Garanhuns: Manoel Teles. Apreciava igualmente Augusto Calheiros e o "Rei da Voz", Francisco Alves, além de Nelson Gonçalves e Carlos Galhardo. Sempre estava a cantarolar as músicas destes cantores.


Filho do conhecido homem público Tomaz Maia que foi Prefeito na década de 1930, Pedro tornou-se figura conhecidíssima de Garanhuns, quando começou a trabalhar na então Delegacia do Imposto de Renda. Seu emprego conseguido por recomendação do Dr. Costa Porto, político de influência na área federal. Nunca dele se aproveitou para tirar vantagens de qualquer natureza. Foi sempre muito rígido e correto no seu trabalho, tendo comportamento exemplar nas suas atitudes de filhos: Tomaz, Pedro Carlos(zizo), Marilene, Rosa, Marcílio, Sheila, Márcia, Suzana, Antonio e Pedro Maia Júnior, quase todos casados e que deram ao casal muitos netos.

Pedro Maia, nunca desejou se afastar de Garanhuns, embora tivesse tido muitos convites para ocupar outros postos no Imposto de Renda de outros estados. Preferiu sempre ficar apegado à sua terra. Quando ia ao Recife, era por poucos dias, ou até horas. Não suportava o calor e o movimento das ruas.; preferia a tranquilidade da Avenida Santo Antonio, ou a calma do  recesso do seu lar, ou o frio de Garanhuns e as conversas com amigos à noite, no então Café Glória e em outros pontos. Pedro Maia, conhecido de toda Garanhuns, foi ao longo dos 70 anos de sua vida, um pacato cidadão, de voz mansa, amigo e prestativo para todos. Por isso registro com um misto de alegria e tristeza a personalidade de Pedro Maia. Tristeza pelo fato do seu passamento, que deixa entre seus familiares, amigos e conhecidos, uma profunda saudade. Alegria por registrar como um preito de homenagem a sua vida e sua passagem, nestas páginas de "O MONITOR". Rendo portanto a minha homenagem póstuma ao cidadão PEDRO DA SILVA MAIA, o conterrâneo, o amigo de todos nós, o meu tipo inesquecível.(Fonte da Pesquisa: jornal "O MONITOR", de 01.11.1986.)

Tuesday, December 17, 2013

A BELEZA DA "SUIÇA PERNAMBUCANA" TRANSCEDENDO FRONTEIRAS

A Igreja de  Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, considerada um dos pontos mais bonitos de Garanhuns, pelo seu belo aspecto arquitetônico.

Sem muitas surpresas, Garanhuns continuar a atrair pelos seus encantos turistas de toda parte, ao tempo que causa admiração em todos os recantos do país, sempre os visitantes levando uma imagem fenomenal, sobretudo de nossa beleza natural e descrevendo a todos o "quê" da terrinha. Hoje, em dois depoimentos transcritos de páginas turísticas, comprovamos as imagens mais marcantes vistas por quem aqui acorre em busca de descanso, lazer e prazer.

Ao amanhecer, o sol é suave, e somente quando o relógio das flores na entrada da cidade sinaliza as dez da manhã se instala, de fato, o verão. Em pleno outubro, no Agreste Meridional de Pernambuco, ainda é tempo de muito frio. Garanhuns, a 230 quilômetros do Recife,vive o ano inteiro de clima de férias e flores.

Conhecido por seu clima ameno, a cidade respira tranquilidade e transpira bucolismo. Os jardins domésticos invadem as ruas com roseiras, dálias e crisântemos. Nas praças que surgem a cada quarteirão, árvores mais que centenárias testemunham outra das características marcantes da cidade. Em Garanhuns, somente o relógio de flores marca a passagem do tempo.

Nada parece interferir no ritmo manso da cidade e dos seus moradores. Carros de boi, carroças puxadas a burro, mascates e leiteiros ainda arrastam suas cargas por ladeiras. Antigas vilas familiares, com casas de porta e janela, grandes alpendres floridos, emergem no centro e nos arrabaldes. Na zona rural, fazenda de café e cultivo de morango e rosas, engenhos e casas de farinha. Na área urbana, uma florescente indústria de malharia.

São 90 mil habitantes, 70 por cento deles na área urbana. Gente de meia idade ou idosa, em sua maioria, pois os jovens deixam Garanhuns logo, a tranquilidade, para eles, parece acomodação. Ficam os com menos de 18 anos ou com mais de
30, o que termina conquistando para a cidade a preferência de quem prefere um contato íntimo e sereno  com a natureza.

Surgida na primeira metade do século, XVII, com a ocupação do planalto pelos índios cariris (chamados unhanhum ou garanhun), é na feira popular, nas sextas e sábados, que Garanhuns manifesta a herança indígena - num comércio que se notabiliza pelo sistema de troca. É a Feira da Mentira, referência aos argumentos dos vendedores que permutam camisas por galinha, candeeiros por cachorros, ferro por espingardas, relógios por bicicletas, de acordo com a imaginação e a disposição do freguês.

Nem só de trocas, contudo, vivem os feirantes de Garanhuns. Lá estão à venda sólidas cerâmicas utilitárias (panelas, alguidares, pratos, copos, jarros), objetos domésticos feitos em flandres de madeiras (desde as prosaicas bacia e colheres de pau até bem cuidados móveis rústicos), tapetes e brinquedos de palha, bonecas de retalhos. Sem falar na comida típica vendidas em barracas guarnecidas com tocos de madeira e protegidas por lonas. São pratinhos de barro transbordados com mão-de-vaca, galinha à cabidela (ao molho pardo), carne-de-sol com fava (uma espécie de feijão), cuscuz com charque e mungunzá. Para acompanhar, nada melhor que uma aguardente de cabeça, curtida num dos alambiques da zona rural, ou licor vendidos no Bar dos Bancários, centro da cidade. Há os de rosa, graviola, goiaba, tamarindo, cajú, côco, canela, anis, cajá, numa variedade que se amplia segundo o paladar do cliente.

Estendida sobre colinas após se derramar sobre o planalto, Garanhuns deitou raízes num solo rico em águas minerais. De lá sai a água Serra Branca, engarrafada para todo país. E nas torneiras de muitas vilas familiares jorra água captada em fontes quase à flor da terra. Numa delas, a Vila Maria (antiga fazenda de café no centro da cidade, dominada por um importante solar de arquitetura colonial do século passado), uma fonte mineral abastece rudimentares carroças que, depois, vendem o líquido de porta em porta.

Fontes não faltam nos dois parques principais da cidade, o dos Eucalíptos e Ruber van der Linden (mais conhecido como pau pombo). No primeiro há brinquedos para as crianças, piscinas, charretes, vaquejadas e área para piquenique e churrascos, entre eucalíptos que, ao cair da tarde, perfumam o ar.

Fora da cidade, a 10 quilômetros, no povoado Timbó, ainda resta uma igrejinha construída há mais de 300 anos, por um escravo fugitivo, para abrigar uma santa por ele roubada na Bahia. No morro da Boa Vista, quase no centro um registro histórico da idade: ali teria vivido um filho do bandeirante Domingos Jorge Velho, combatente dos quilombos e que, casado com uma índia inhamun, batizou a cidade.

Bancos de trem, antigo ponto final de viajantes da extinta Great Western (que ali encerrava seus trilhos para o Agreste Meridional), agora servem de assento para boêmios e turistas. É a Estação Central Ferroviária de Garanhuns transformada em Centro Cultural com bar, restaurante e teatro. Vizinho ao Centro Cultural está o Mosteiro de São Bento, com jardins, lago e acervo de arte popular.

A 1.025 metros o turista encontrará a mais bela paisagem de Garanhuns, a do Cristo do Magano, construído há mais de três décadas. Além de ser o ponto mais alto da cidade (que tem altitude média de 900 metros), o Magano é também o lugar mais frio, lá a temperatura vai abaixo dos 10 graus, contra a mínima de 13 graus no centro.

O mais importante acervo de ex-votos de Pernambuco, está a 12 quilômetros da cidade, por uma estrada de barro que conduz ao povoado de Santa Quitéria. São centenas de objetos em cera e madeira, representando partes do corpo humano ou animal curadas por interferência da padroeira. A imagem chegou a Frexeiras em 1715, nas mãos do português Severino Correia da Rocha, e desde então, tem sido a herança mais preciosa de pelo menos cinco gerações da família (que detém a posse e o mando do povoado santuário). Além dos ex-votos, a maior atração é a pequena barroca de Santa Quitéria, sufocada sob o peso de muitos colares de ouro, uma preferência que a fé nunca explicou, mas que foi propaganda no boca-a-boca dos romeiros.
O povoado de Santa Quitéria, hoje pertence ao município de São João.(Matéria publicada na página de Turismo do "Jornal do Brasil" de 24.10.1986).