Wednesday, May 29, 2013

33 ANOS DA EXPLOSÃO NA AVENIDA SANTO ANTONIO


Avenida Santo Antonio  logo  após a explosão.

Tudo começou às oito horas e trinta minutos de quinta-feira, dia 05 de junho de 1980, a barraca de vender  fogos pertencente  ao senhor Protásio  Gomes Azevedo, conhecido por Tarzinho, motivada  por um  curto  circuíto  na instalação  elétrica, explodiu e em menos    de dez segundos  também explodiu    a outra barraca  pertencente ao senhor  José Alves  da Silva  Filho, conhecido por José Barroso.
Ambas as barracas de vender fogos foram armadas sobre a marquise que serve de cobertura para o Bar "O Colunata".  A explosão provocou um deslocamento de ar num raio de ação de mais ou menos quinhentos metros, cujo impacto arrancou o teto de várias casas comerciais localizadas na Avenida Santo Antonio, quebrando as vidraças e portas de várias delas.
A mais atingida foi a Veneza Americana, pertencente ao senhor Silvio Apolinário que teve as portas arrancadas e as mercadorias totalmente danificadas.

O setor bancário também sofreu terríveis danos, sendo que o mais atingido foi o Banco do Brasil que teve o forro de gesso dos dois andares totalmente danificados, dando a impressão de que havia sido decorado para uma baile de São João.
O Cinema Jardim que ficava localizado na praça do mesmo nome, teve o forro da marquise e do salão de espera também destruído. A placa de cimento armado a ferro que cobre os boxes ficou parcialmente destruídos.
Na catástrofe morreram quatro pessoas e trinta e oito ficaram feridas. Esta foi a segunda maior catástrofe acontecida em Garanhuns. A primeira foi a Hecatombe de 1917, por questões políticas, tendo morrido na ocasião mais de dez pessoas. Nesta calcula-se uma prejuízo de aproximadamente cinquenta milhões de cruzeiros. O Prefeito Ivo Amaral ao ter conhecimento do lamentável acontecimento comunicou-se imediatamente com o Governador do Estado e todas as Secretarias de Governo. Meia hora depois do acidente a Avenida Santo Antônio ficou sob controle das autoridades que tomaram todas as providências necessárias ao socorro às vítimas para evitar incêndio nas casas comerciais e bancos.
É conveniente se ressaltar o trabalho desempenhado pelo 71º B.I. e 4º Companhia de Polícia que imediatamente enviaram seus soldados e num trabalho constante amenizaram o sofrimento de todas população.

Também prestaram inestimáveis socorros a Prefeitura desta cidade que por determinação de Ivo Amaral foram colocados em ação todos os engenheiros, trabalhadores, secretários e os veículos do município, a Câmara Municipal, a Rádio Difusora que num trabalho de esforço e profícuo tranquilizou a população, a Celpe que imediatamente procurou através de seus eletricistas, consertar a rede de energia, prefeitos da região que vieram se solidarizar com o colega chefe do executivo local e o povo em geral que num espírito de solidariedade não saiu da praça durante todo o dia.
Garanhuns viveu naquela quinta-feira, dia Corpus Christi, o mais terrível drama de sua história. A nossa população de cento e vinte mil almas ficou totalmente traumatizada.

Por volta das 13:30h chegou a esta cidade o Governador Marco Maciel, acompanhado dos Secretários José Tinoco, da Secretaria de Trabalho e Ação Social, Djalma Oliveira, da Secretária da Saúde e vários assessores do Governo.
Na ocasião e no local do sinistro o Governador Marco Maciel prometeu toda ajuda necessária as vítimas e aos que sofreram danos material.
(Reportagem do Professor e Jornalista José Rodrigues da Silva(saudosa memória), para o Jornal "O Monitor" em junho de 1980 - Foto: Avenida Santo Antônio após a explosão).

Tuesday, May 28, 2013

SOUTO FILHO: O POLÍTICO E AS SUAS RAÍZES

Do poder, meu pai não sentiu jamais o desvarío, nem o considerou um bem de raiz.
Da sua tolerância, da moderação e da compreensão humana fizeram dele um autêntico líder.
Ele soube ser digno de si mesmo e foi grande em tudo: na força do seu talento, na resistência do seu caráter e nas dimensões do seu coração.
Procurava na medida do possível, atender a todos que lhe solicitasse ajuda, e as mágoas acumuladas após a Revolução de 1930, nunca o deixaram negativista ou revoltado.

Sempre sereno e dócil, meu pai jamais guardou ressentimentos, nem mesmo dos mais ferrenhos adversários. Minha mãe, habitualmente comentava que ela demorava mais a esquecer as agressões e injustiças, feitas ao meu pai, do que o próprio.
O meu pai tinha virtude de se apiedar dos ingratos, de esquecer a fraqueza dos pérfidos e de perdoar os frustrados e desleais.
Embora muito criança, nunca descobrí no semblante de papai, um vestígio sequer de mágoa recalcada. Tudo nele, nos gestos, na postura, no falar manso, retratava um espírito desarmado, face às muitas decepções e desencantos, que um homem público enfrenta.
Conhecera os mais recônditos escaninhos da nossa história política enquanto viveu. 
Guardo dele, essa imagem de homem e de pai cheio de candura.A força das suas raízes de homem do agreste, nunca lhe arrefeceram o ânimo.
Foto: Souto Filho, D. Chiquita com os filhos Souto
Neto, Esther e Gerusa (no colo), e a Professora
Celeste Dutra, na casa do Praça Dom Moura, 44.
Garanhuns, a sua muito amada Garanhuns nunca deixou de lhe representar a terra da promissão e era com o nome da sua terra natal nos lábios, que lhe sentíamos a alegria de viver e lutar. Era inexcedível o seu amor filial, o seu carinho por Garanhuns, para onde encaminhou todos os seus pensamentos e ações no decurso de uma vida orientada no sentido do bem público da sua terra. Conseguiu oficializar os primeiros colégios de Garanhuns, pois achava que educação e instrução de um povo, representavam a principal meta de progresso.
Ele jamais fez política baixa,de perseguição ou de corrupção, nos legando um nome acima de qualquer suspeita. Quando se encontrava na sua função de Curador Geral de Órfãos e Interdictos, zelava com maior probidade e lisura, sobre os bens dos orfãos e doentes mentais.Zelava como fosse o próprio pai deles, nos seus interesses.

Ele possuía como poucos, o sentimento da moralidade, que todo homem público deveria ter, pois hoje vivemos uma inversão de valores.O julgamento histórico de um político, não é o que passa, é o que fica.

Certa vez, o Governador Carlos Lima Cavalcanti, que era seu adversário político, mandou através do líder do seu governo, convidá-lo para um encontro, ou audiência no Palácio do Governo.
Prontamente, Papai retrucou ao emissário, que no Palácio, ele não poria os seus pés, mas, que poderia receber sua excelência, em sua residência. O Governador compareceu à nossa casa e longamente conversou com meu pai, às portas fechadas. Mamãe mandou o nosso copeiro servir cafezinhos e sucos de frutas na sala.


Papai que consumiu grande parte da sua existência, exercendo mandatos políticos, com exemplar dignidade e discrição, se  vivesse nos tempos atuais, classificaria de acinte à pobreza, as mordomías de nossos Três Poderes. Modesto e simples, não gostando de ostentações, logo porém, se fazendo respeitar e admirar por seu comportamento irrepreensível. Homem plural, estendeu seu zêlo e afeto da família para a grande família maior: seus correligionários, seus seguidores.

Filho modelo e dedicado aos pais, também o foi às suas irmãs: Marieta, Alice, Amabilia e Euridice. Ele era o filho do meio,  mais moço que Marieta e Alice e mais velho que Amabilia e Euridice.
Antes de tudo, meu pai foi um telúrico, amou profundamente sua gente, sua terra, suas raízes.

Já dizia Oswaldo Aranha, que cada homem carrega sobre seus ombros a sua geografia. Papai tinha o seu universo, do qual, eu infelizmente tão pouco participei. Meu pai nunca se desligou das suas origens, dos seus princípios e valores morais. Pela vida afora, nunca deixamos de ser o que somos.

A sua trajetória política foi pontilhada de sucessos, mas também de ostracismo, após a Revolução de 1930. Os seus 26 anos de vida pública, iniciada aos 25 anos de idade, deixou marcas onde passou, pela sua vida limpa, honrada e acima de tudo por um espírito conciliador. Nunca subjugou ou tripudiou sobre o vencido. Foi um verdadeiro democrata, um autêntico liberal e amigo dos seus amigos.

As nossa idas a Garanhuns, em fins dos anos vinte, eu ainda tão pequena, mas, suficientimente precoce, para me recordar de alguns detalhes e acontecimentos. Todos nós, Papai, Mamãe e os meus dois irmãos mais velhos, usávamos guarda-pós para nos livrar da poeira que a locomotiva levantava, já que naquela época, não havia estradas de rodagem asfaltadas.

A estação de trem de Garanhuns, regorgitava de gente com a chegada do seu chefe político. A Banda de Música do maestro Francisco Ribeiro e Silva, tocava apresentando as boas vindas aquele homem, um dos legítimos representantes do Estado no parlamento. Fogos eram lançados sob a direção do Sr. José Francisco Ribeiro e Silva, mais conhecido como José Fogueteiro.

A minha Babá Celina, impecável no seu uniforme, com avental engomado, me tirava da plataforma, receiosa dos empurrões, com a multidão se comprimindo em torno de Papai ao receber os primeiros cumprimentos dos parentes, amigos e eleitores.

Rumávamos em seguida para a nossa casa, situada na Praça Dom Moura, número 44 na época uma das mais bonitas e confortáveis casas de  Garanhuns. Não tínhamos nenhuma mordomia, apenas um Cabo da Polícia Militar a mandado do delegado local, Nelson Leobaldi, que ficava em nosso portão como segurança, que naquela época se  chamava ordenança. Papai nunca solicitou do Delegado essa regalia, que adotava por livre e espontânea vontade. A casa possuía espaçosa varanda, porão habitável, onde meu pai instalou seu gabinete. Parece que estou a vê-lo, guarnecido com lindos móveis de jacarandá e uma mesa redonda com tampo de mármore, decorada com estátua de bronze, que hoje pertence ao meu irmão Souto Neto.  Mamãe, esmerava-se em trazê-la numa ordem perfeita.Não consentia que riscássemos o polido assoalho, nem que espalhássemos brinquedos pelos cantos. Brincávamos no porão e no jardim, muito florido e tratado.O clima privilegiado da montanha contribuia para a linda floração.No porão Papai tinha o seu gabinete onde recebia todas as manhãs os seus correligionários e amigos particulares.

Quantas lembranças, me trazem à casa 44 da Praça Dom Moura. As férias naquela espaçosa casa, eram de excepcional deslumbramento. Naquela atmosfera de lar, recebíamos pessoas ilustres do governo, amigos e  parentes, que iam usufruir dos bons ares de nossa Garanhuns.

Lembro-me, que, ao entardecer algumas vezes, meu pai percorria a pé, as ruas de Garanhuns, andando a frente dos seus correligionários e amigos. Ele ia em primeiro plano e os demais o seguiam. Observava à distância e apesar da minha pouca idade, os identificava: Severiano Moraes, Euclides Dourado, Sales Vilanova, Abdias Branco, João Café, Godofredo de Barros, Antônio Brasileiro, Joaquim Branco, Luiz Guerra, Urbano Vitalino e outros que  não me ocorrem no momento.

Que pai seria aquele, que marcava uma época e uma presença naquela cidade, que ele tanto amava? A política é uma atividade coletiva e papai, chefe político o devia também aos seus seguidores, correligionários e fiéis amigos. O líder era ele, que sabia bem dirigir os seus liderados. Naqueles tempos já tão distantes, não poderia avaliar o peso da sua influência política no Estado.

Os amigos eram muitos em Garanhuns, no Recife e no Rio de Janeiro, porém os fraternais e mais chegados eram Eurico de Souza Leão, Elpidio Branco, Maviael do Prado, Tomaz Lobo, Arnaldo Bastos, Júlio Santa Cruz, os compadres Fábio Maranhão, José Eustáquio da Silva e Silviano Rangel Moreira, Caraciles Leite, Francisco Pereira, sem esquecer os primos Soriano Furtado, Francisco Furtado Neto e João da Silva Souto, o nosso saudoso Bida, e relembrando também no Rio, Francisco Pessoa de Queiroz, Cristovão Xavier Lopes, deputado José Braz, filho do ex-Presidente Wenceslau Braz e o Senador Jones Rocha, de São Paulo.

Meu pai, nascido na então Vila de Brejão, que pertencia a Garanhuns, na Fazenda Frexeiras, era descendente direto do casal Micael d'Amorim Souto e Maria Paes, que habitava em 1706, o Sítio Môchila, tronco origem da mais antiga família garanhuense, de onde vieram apesar de sobrenomes diferentes: os Soutos, os Rodrigues,os Gueiros, os Furtado, os Barros, os Vaz da Costa, os Vilela e os Paes. Denominavam-se de Môchileiros todas essas famílias, oriundas do casal d'Amorim Souto e Maria Paes.(Fonte da Pesquisa: Livro Memórias de Amor de Gerusa Souto Malheiros).

Monday, May 6, 2013

GARANHUNS - A ENEVOADA PÉROLA FUGIDIA

Marcilio Reinaux - Fevereiro/1981


Adicionar legenda


Garanhuns
de Simôa Gomes,
dos Guarás e de
Brasiliense Maia,
cantando o canto dos Anuns.

De Luís Jardim
com flores no seu nome,
dos Vilela, dos Vitalino,
dos Dourados, dos Gomes,
dos Reinaux's e dos
Gueiros.

Garanhuns
das flores, de
José da Costa Leite, de
Geronço Albuquerque, dos
amores, de Espiridião,
de Abdias Branco, de
Ferreira Costa e
Antonio Paulo.

Garanhuns, 
dos Maia, dos Moura, do
frio e da serração e
da saudade no coração.
Da cantoria de Manoel Teles,
de Osires Pedrosa e Polion,
de "Meu Lôro" e de
Euclides Dourado.

Garanhuns, 
dos Van der Linden,
de Godofredo Barros e de
Tavares Correia, dos
Pintos e dos Cardoso,
do Pau Pombo, dos
Eucalíptos, e dos
Tavares de Lira.

Garanhuns, de
Dom Mario Vilas Bôas, de
Dona Cecilia Rodrigues, do
Colégio 15 de Novembro.
Do Ginásio Diocesano do
Padre Adelmar Valença,
de Ageu Vieira, de
Monsenhor Calou.

Garanhuns,
dos Pereira, dos Almeidas,
dos Cabrais, da feira e
do Trem. Do carrossel nas
noites de festas, dos
americanos missionários,
Thompson e Taylor.

Garanhuns,
do Magano solitário
em noite de garôa,
da professora Nisia Caldas,
da Rua da Areia, e da
Rua do Recife. Do Mundaú,
do Pau Amarelo,
da Vila Regina e
da Serra Branca.

Garanhuns, 
do frio na pele e calor
no coração. Terra de Simôa,
no Monte Sinai
de Alfredo leite e
Manoel Gouveia, de
"Seu Guarda", "Pola" e
"João do Ovo".

Garanhuns, de
José Francisco, de
Uzai Canuto,
do Brejo das Flores,
de João do ìndio, do
Café Glória, de Siloé
e de Seu Belarmino,
e de Zé de Souza.

Garanhuns, de
Seu Matos, do Armazém do Gato,
de João Burrego e da
Loja "Atrativa", da
Praça João Pessoa, e da
Praça Dom Moura.
Do cabaré "Rosa Branca"
e de Maria Pé de Bicho"
e de "Maira Boi Brabo".

Garanhuns, 
de Mario Matos, dos Godoy,
de Aloisio Cabral, e de
Carlos Borba. Dos Morais
de Chico Leal,
do Padre Tarcísio e 
de Antonio Eutímio.

Garanhuns de
Henrique Câmara o
Coletor Federal, das
Novenas, do Santa Sofia,
do Hotel Petrópolis e
do Sanatório.
Do Mulungú e da
Gruta D'água.

Garanhuns,
dos Guarás e dos Anuns
de Vadô e Yaponam, de
Heloisa e Augusto Pinto,
da Estação, e da "Sopa",
do "Trivulim" e do
Capote Serrano.

Garanhuns,
do Cabo Cobrinha,
da Hecatombe, das
Serestas dos Seresteiros,
dos pedintes de feira,
Das frutas maravilhosas,
E do cinema seriado.

Garanhuns do
Doutor Lito, de
Urbano Vitalino, do
Dr. Oswaldo Medeiros.
De Duda Deletiere, de
Dona Elisa Coelho, de
"Seu Augusto" e da
"Nega Gente".

Garanhuns, 
de tudo e de todos,
do Tinô e dos Tinocos,
Do mudo da estação,
Do restaurante Raul Monte,
Da Rua Dom José,
Da Boa Vista.

Garanhuns,
Enevoada Pérola Fugidia,
Garanhuns das Flores
Garanhuns dos meus amores.
(Fonte da Pesquisa: Livro "Garanhuns a  enevoada pérola fugidia", de Marcilio Reinaux).


Monday, March 11, 2013

GARANHUNS DE VILA À CIDADE

Gonzaga de Garanhuns

Gynásio Diocesano em 1927




Garanhuns quando surgiu
Pra se dizer a verdade
Não é contado da data
Que se elevou-se a cidade
Mas quando passou a vila
É essa a realidade

1811
Pela Carta Régia então
Isso aos 10 do mês de março
Deu-se sua elevação
De povoado pra vila
Bem feita com precisão

Por Vila de Santo Antônio
De Garanhuns na verdade.
Ficou sendo conhecida
Com toda realidade
Pelo desenvolvimento
E mais autencidade

Após mil oitocentos
E onze é que é contada
A data em que Garanhuns
Se firmou bem na estrada
Dessa data por diante
A vila foi promulgada

O Governador da época
De Pernambuco não minto
Da época era o atual
O Sr. Caetano Pinto
De Miranda Montenegro
Que elevou o recinto

Conhecida como vila
De Santo Antonio ficou
E a vila foi crescendo
De crescer nunca parou
Depois de 68
Anos cidade tornou

Mais tarde por incentivo
E muita boa vontade
Do Barão de Nazaré
Que sugeriu de verdade
De elevar Garanhuns
A carácter de cidade

Era Silvino Guilherme
De Barros senhor de fé
Deputado provincial
O seu nome tá de pé
O famoso cidadão
O barão de Nazaré

Em um oito sete nove(1879)
Aos 04 de fevereiro
Foi elevada a cidade
Este torrão agresteiro
Tendo mais um município
Em nosso chão brasileiro

Garanhuns não teve data
Digo de emancipação
Porque nunca pertenceu
A outra cidade não
Ou a outro município
De nenhuma região

E também de região
Pois eu falo abertamente
A fundação da cidade
Deu-se gradativamente
Essa por Simôa Gomes
Bem assim foi realmente

Desde pois a doação
A irmandade doada
a irmandade das almas
Que esta terra foi dada
Dai começou aos poucos
A cidade ser fundada

E assim foi se elevando
De sítio pra povoado
De povoado pra vila
O lugar foi elevado
Até chegar a cidade
O título que foi lhe dado

Para se explicar melhor
Fundação nunca se deu
Também emancipação
Dela nunca se ocorreu
Pois que a outro município
Garanhuns não pertenceu

Em mil e oitocentos
Setenta e nove e mais nada
Ao caracter de cidade
Garanhuns foi elevada
Emancipada não foi
E nem tão pouco fundada

Agora elevada sim
A verdade tá de pé
Nossa cidade até hoje
Ela sempre foi e é
Graças o forte da lei
E ao Barão de Nazaré

Antônio da Silva Souto
Foi seu primeiro prefeito
Em três anos de gestão (1892-1895)
Fez um trabalho direito
Pela sua dignidade
Seu trabalho foi aceito

Foi criada a diocese (02/08/1918)
D. Moura foi o primeiro
Bispo que aqui chegou
E mostrou ser verdadeiro
Pregador do evangelho
De Jesus Cristo altaneiro

Garanhuns sempre cresceu
Pois todos fiquem sabendo
A mesma pelo progresso
Pois foi se desenvolvendo
E cada dia que passa
O progresso vai crescendo

A cultura do café
Se expandiu na região
Cebola também mamona
Erva doce e algodão
A pecuária era farta
Milho, mandioca e feijão

Veio a luz de Paulo Afonso(Década de 50)
Que iluminou a cidade
O trem já tava algum tempo (1887)
Que trouxe prosperidade
Trazendo força e progresso
Pra essa localidade

Surgiram também colégios
Para os jovens educar
Surgiu o Colégio XV (1900)
De grandeza exemplar
Também o Santa Sofia (1912)
Colégio espetacular

Surgiu o Diocesano (1915)
Com grande potencial
O outro que surgiu foi
O ginásio do Arraial (1956)
Pois estes quatro colégios
Dera o passo inicial

Garanhuns tá bem servida 
No setor de educação
Com colégios e escolas
E faculdades padrão
Que enfatiza seu povo
Com atual formação

Como também noutras áreas
As de turismo e cultura
E na comunicação
Garanhuns tá na cultura
Por isto nossa cidade
É uma beleza pura

Nos seus grandes festivais
Como o festival de inverno
E o festival do JAZZ
Esse festival moderno
Na história da cidade
Tão escrito no caderno

Seus belos pontos turísticos
Cada qual mais belo e fino
Seu belo nascer do sol
No alvorecer matutino
Bem mais belo seu ocaso
No entardecer vespertino

As suas flores tão belas
Coloridas perfumadas
As belezas graciosas
Das mulheres são formadas
São belezas ofuscantes
A elas depositadas

Garanhuns sempre cresceu
Em progresso e bem estar
Esta cidade serrana
É um modelo exemplar
Suas águas cristalinas
E suas sete colinas
Fazem em tudo admirar.



Thursday, February 28, 2013

Garanhuns e a visita do Papa João Paulo II ao Brasil em 1980

Nelson Paes (in memoriam)





Em todos os grandes acontecimentos da vida brasileira, direta ou indiretamente, Garanhuns esteve presente. Em 1980 entre os dias 7 e 8 de julho, foram dois dias inesquecíveis para Pernambuco, com a presença em Recife, daquele que nós sabemos se é humano ou se é divisa, se é divino ou se é humano: Sua Santidade João Paulo II, o peregrino da paz. Quando de sua chegada ao Aeroporto dos Guararapes, lá estava Dom Tiago Postma, Bispo Diocesano de Garanhuns. Centenas de pessoas se deslocaram desta cidade, para ver, ouvir e aplaudir o Vigário de Cristo. Na Missa celebrada no Viaduto Joana Bezerra, o locutor oficial na hora da comunhão, anunciou: Representando Garanhuns, vai receber a Sagrada Comunhão, o Cônego Pedro Magno de Godoy". Uma delegação de homens da zona rural, também alí se encontrava. O Coral do Arraial dirigido pelo Padre Luís Gonzaga, fez parte do Coral de Mil Vozes, que em Fortaleza, no Ceará, cantou em homenagem ao Pontífice.

No entanto, um fato que para muitos não tem repercusão, para nós é de grande importância, merecendo que fique registrado nestas memórias históricas, para que a prosperidade, dele tenha conhecimento: "Foi um garanhuense, que conduziu João Paulo II, no percurso de 25 Kms, do Palácio dos Manguinhos, até o Aeroporto, dirigindo o veículo, um ônibus que transportava tão eminente passageiro, que para alí se dirigiu a fim de embarcar no avião que o levou à Belém do Pará. O "Diário de Pernambuco", edição de 9 de julho de 1980, página A-6, publicou a notícia, que achamos por bem reproduzir.

"O ônibus seletivo número de ordem 3.003 e o motorista Severino Macário dos Santos, da CTU, entraram, ontem na história da Empresa. O veículo transportou Sua Santidade o Papa João Paulo II, do Palácio dos Manguinhos, e o motorista foi o terceiro no Brasil a conduzir o Sumo Pontífice. O coletivo vai receber uma placa alusiva ao evento e o profissional Severino Macário dos Santos, de 43 anos de idade, recebeu duas medalhas de ouro, dois abraços e a bênção do Papa João Paulo II, e beijou-lhe as mãos por duas vezes. Uma medalha ele entregou a sua esposa, ao chegar em casa, comovendo seus familiares que já haviam escutado a notícia pelo rádio. A outra ele disse que vai ser passada de geração em geração. As duas não tem preço e nada o fará desfazer-se das lembranças.

O motorista Severino Macário dos Santos, natural de Garanhuns, com 25 anos de profissão, foi juntamente com mais dois colegas da CTU, escolhido para participar da operação. Na quinta-feira ele conduziu o coletivo que fez a linha do Aeroporto para as dependências do quartel do 14º Batalhão de Logística do Exército, e lá recebeu instrução dos militares encarregados da Segurança de Sua Santidade. Severino Macário e os outros colegas dormiram e fizeram as refeições no Exército e, na segunda-feira conduziram os veículos para a Base Aérea, aguardando a chegada da comitiva do Santo Padre. Para a chegada do Sumo Pontífice os três veículos da CTU quase não tiveram utilização. Conduziram alguns militares e autoridades do Estado, mas, a determinação foi de que eles permaneceriam no Palácio dos Manguinhos, onde passariam toda noite.

Na manhã da segunda-feira, a grande surpresa. Macário foi chamado pelo Oficial da Segurança, juntamente com mais dois motoristas. Ficaram em fila indiana e um dos oficiais depois de conversar com os Ministros da Igreja, dirigiu-se para Severino Macário, mandando-o colocar o ônibus mais perto da saída do Palácio. Estava escolhido para conduzir Sua Santidade.

Macário disse que não acreditou muito, mas já estava um pouco temeroso, quando de repente Sua Santidade João Paulo II, aproximou-se do veículo e subiu. Ele estava sentado no volante e foi tomado de uma emoção forte ficando com as faces coradas. O Santo Padre, parecendo reconhecer o vexame a que estava passando o motorista, subiu os degraus, aproximou-se do profissional que levantou-se de imediato e o abraçou carinhosamente, fazendo-o repousar a cabeça em seus ombros. "Meu coração bateu forte, senti uma emoção violenta e beijei as mãos do Sumo Pontífice" contou o motorista.

No trajeto do Palácio de Manguinhos até a Base Aérea, foram os momentos mais importantes da minha vida. Eu queria que aquele percurso não mais terminasse, pois Sua Santidade, em pé ao meu lado, acenando para a multidão, fazia com que me sentisse o homem mais feliz do mundo. Os gritos da multidão saudando o Papa, as pessoas querendo parar o veículo que trafegava em marcha lenta tudo era um espetáculo que jamais esquecerei em toda a  minha vida. Na Base Aérea, novamente o Santo Padre, ao sair do coletivo, me abraçou desejando felicidade para mim e toda minha família. Com os olhos molhados de lágrimas, disse-lhe apenas que desejava muitos anos de vida para que continuasse proporcionando, benefícios à humanidade. Desejei-lhe boa viagem e beijei-lhe as mãos novamente. Ele, parado, diante do Governador Marco Maciel que o esperava na porta do ônibus, encostou novamente minha cabeça em seu ombro e deu sua benção.

Encerrado estas rotas, queremos salientar outros acontecimentos: Na sua última etapa em terras brasileiras, no Amazonas, João Paulo II, foi recebido pelo ex-bispo de Garanhuns Dom Milton Correia Pereira, na época Arcebispo de Manaus; as flores de Garanhuns, ornamentaram o altar erguido sobre o Viaduto Joana Bezerra, no Recife, onde João Paulo II celebrou a missa, que foi assistida por quinhentas mil pessoas; o Jornalista Ulisses Peixoto Pinto, representando "O Monitor", foi o único profissional da Imprensa do Interior do Estado, credenciado na sua função informativa.(Fonte da Pesquisa: Jornal "O Monitor", de julho de 1980).

Vale-Cultura poderá bancar TV por assinatura, diz Marta Suplicy


Do Jornal Folha de São Paulo


"Pode comprar TV a cabo, revista. (...) As pessoas vão comprar o que elas quiserem", afirmou, sobre o Vale-Cultura, a ministra da Cultura Marta Suplicy nesta terça-feira (26) em entrevista ao "Bom Dia DF", da TV Globo de Brasília. É a primeira vez que ministra menciona a possibilidade de usar o benefício para pagar contas de TV por assinatura.

Marta também apresentou o Vale-Cultura à diretoria da Confederação Nacional da Indústria.

Sancionado em dezembro, o benefício de R$ 50 mensais será destinado a trabalhadores que recebam até cinco salários mínimos de empresas que aderirem ao programa. Dos R$ 50 do Vale-Cultura, que foi comparado pela ministra da Cultura a cartões de crédito e vale-refeição, R$ 45 serão financiados pelo governo federal, via renúncia fiscal --com abatimento de até 1% do imposto de renda--, e os R$ 5 restantes serão pagos pelo trabalhador ou pela empresa.

Desde o lançamento, a ministra vem enfatizando que a escolha de como gastar o benefício independe do governo. "Pode comprar revista porcaria. O trabalhador decide", disse em janeiro no programa "Bom Dia, Ministro", da Empresa Brasileira de Comunicação.

Embora tenha declarado que o Vale-Cultura também será destinado ao pagamento de TVs por assinatura, a ministra finalizou a entrevista criticando o escoamento de dinheiro para esse mercado.

Marta mencionou o encontro com prefeitos de pequenas e médias cidades em Brasília. "Nós falamos [a eles]: 'Estimulem a produção cultural da sua cidade, porque senão o dinheiro vai pra outro lugar. Vai pra TV a cabo ou pra outros lugares'", disse.

JUNHO

Os critérios para trabalhadores ganharem e gastarem o Vale-Cultura estão sob análise jurídica na Casa Civil da Presidência da República. A previsão é que o benefício saia do papel em junho deste ano.

Na última sexta (22), o Ministério da Cultura encaminhou o texto que regulamenta o benefício e que precisa ser assinado pela presidente Dilma Rousseff para ser, de fato, distribuído.

No entanto, pela proposta da equipe de Marta Suplicy, o decreto de regulamentação será um texto mais genérico e as regras para usar o benefício seriam elaboradas nos próximos meses, por meio de portarias, e passariam a vigorar em junho.

Na análise da Casa Civil, contudo, o decreto de regulamentação já deve trazer critérios importantes para o uso do benefício que permite não apenas que o trabalhador escolha o produto cultural a ser comprado mas também que as empresas deduzam impostos. O texto deve também deixar detalhes para o Ministério da Cultura definir por meio de portarias.

O Ministério da Cultura aposta que a regulamentação será assinada por Dilma e publicada no "Diário Oficial da União" "nos próximos dias".

Estima-se que no primeiro ano cerca de 1 milhão de trabalhadores serão contemplados.


Tuesday, February 26, 2013

O meteorito de 1923 que passou por Garanhuns e caiu em Alagoinha

Imposto Territorial em 1912.
Do Blog Instituto Garanhuns

Memória: A história do meteorito que caiu em Alagoinha no dia 1º de outubro de 1923 http://www.vidanews.net.br/noticias/mundo-noticias/memoria-a-historia-do-meteorito-que-caiu-em-alagoinha-no-dia-1%C2%BA-de-outubro-de-1923/ Imagem de um meteorito no céu Segundo o Professor Luciano Jaques da Morais, caiu um meteorito mais ou menos as 11 horas do dia 1º de outubro de 1923, na Serra do Magé, Alagoinha, que era distrito de Pesqueira, também no Sítio cacimbinha, situado ao norte da mesma serra, e outros lugares, ocorreu queda de fragmentos do mesmo meteorito. “O meteorito, numa distância de 60 km, seguiu uma trajetória sudeste para noroeste, passando PR cima de Garanhuns e indo explodir na Serra do Magé”. “As pessoas que presenciaram o fenômeno afirmaram ter ocorrido primeiro um clarão como se fosse um relâmpago, seguido de uma forte trovoada, um grande estrondo e outros menores. Tudo isso durou cerca de três minutos”. “Ao explodir, este meteorito, que é essencialmente pedregoso, pertencente ao grupo dos assideritos, denominados de pedras meteóricas ou aerólitos, se dividiu numa enorme quantidade de fragmentos, que caíram como se fosse uma chuva de pedras. Durante a queda, eles desprendiam gases, uma espécie de fumaça”. “Os fragmentos do referido meteorito são de tamanho variável, medindo os maiores de 7 a 10 centímetros de lado. A maioria das amostras tem menos de 5 centímetros de lado”. “Esse fenômeno foi observado no trecho entre Garanhuns, Alagoinha e Pesqueira, tendo sido notado em diversas outras cidades, vilas, povoados e sítios da região e, até em Serra Talhada (vila Bela)”. “O efeito da queda deste meteorito foi bastante notável. Nos lugares próximos a Serra do Magé e Garanhuns, o gado se espantou e deixou a correr. O povo ficou tomado de pânico e saiu de casa apavorado”. “Em Garanhuns, devido ao grande deslocamento de ar produzido pela explosão, diversos prédios tiveram as vidraças partidas e objetos derrubados das prateleiras. Na Serra do Magé e em Cacimbinha, em algumas casas caíram fragmentos do meteorito em Cida dos Telhados que, via de regra, rolavam para o chão. Apenas em uma casa houve telhas quebradas”. Essa pesquisa foi tirada do livro de Estudos Geológicos de Pernambuco, do professor João de Deus de Oliveira Dias, publicado em janeiro de 1957. Paulo de Oliveira Melo Tags:aerolitos, Alagoinha, Campo do Magé, Fenômeno, História, memória, meteorito