Wednesday, June 12, 2013

GERALDO DE FREITAS CALADO: UM SEMEADOR DE SONHOS

Geraldo de Freitas Calado

Fernando Jorge

Garanhuns, a 229 km do Recife, não foi o torrão natal de Geraldo de Freitas calado, mas a cidade do presidente Lula, do escritor Luís Jardim e do sanfoneiro Dominguinhos, que viu crescer e se desenvolver um homem que nunca desistiu de sonhar de olhos abertos, apesar dos moinhos de vento; um homem que fez da sua existência uma lição permanente de amor às coisas belas da vida e de defesa de causas nobres no sentido de amparar os injustiçados.

Nascido na verdade em Correntes, cidade do Agreste Meridional pernambucano que faz limite ao norte com  Garanhuns, em 5 de dezembro de 1933, filho de José Zacarias de Freitas e de Eulália de Freitas Calado, Geraldo aplicou na prática o lema que sempre repetiu como estribilho: "Jamais lançamos, como César, a sorte. Lançamos, sim, a luta.

"Educador, professor universitário, jornalista, político, orador, conferencista, jurista, autor de acatados livros jurídicos de doutrina, procurador federal, enfim, um homem poliédrico, um visionário que pensa em tempo integral nos destinos nacionais. Seu espírito associativo e documentado pela passagem e pela militância febril em dezenas de entidades das vidas política, cultural e artística do país. Todos que puderam acompanhar de perto suas atividades na linha de frente do Grêmio Cultural Ruber van der Linden, do Grêmio Cultural Castro Alves e do Movimento Municipalista Brasileiro, para ficar em apenas três exemplos, guardam de Geraldo de Freitas Calado as melhores recordações. Até hoje é lembrada sua monumental atuação conduzindo a Casa do Estudante Pobre de Garanhuns, a "menina dos olhos" de toda uma existência. Geraldo acompanhou de perto episódios decisivos da política nacional.

Sua vida foi toda ela argamassada de lutas ingentes, nem sempre timbradas pelo êxito e recompensadas com o reconhecimento geral. Mas jamais desfaleceu na sua fé no futuro do país. Com seu espírito gregário, Geraldo deu o melhor de si em cada campanha altruística, em cada cruzada em prol dos que trabalham para o progresso da nossa pátria amada. Exemplo disso é seu apostolado, seu catecismo incansável em torno da idéia da fundação da Universidade Federal do Agreste Meridional de Pernambuco, em Garanhuns, o sonho que animou o seu espírito por mais de 50 anos.

Verdadeiras encruzilhadas da história. Conviveu estreitamente com líderes que suscitam até certa nostalgia de décadas passadas em que os políticos tinham mais conteúdo e mais espírito público. Mas mesmo nesses "contatos cívicos", Geraldo nunca deixava de ser um embaixador do seu amado Pernambuco no cenário federal. De certa maneira, estava longe do poder, mas pertinho das decisões.

Estudou as primeiras letras no Colégio Diocesano de Garanhuns. Em 1964, colou grau em Direito na tradicionalíssima Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (ao lado da Faculdade de Direito de São Paulo, é o primeiro curso superior do Brasil, fundado por lei promulgada pelo imperador D. Pedro I, em 11 de agosto de 1827, e instalado primeiramente em Olinda no Recife).

Completou a formação acadêmica de Geraldo a realização de estudos de pós-graduação em Direito Civil, Direito Judiciário Civil, Direito Penal,Direito Judiciário Penal, Direito Comercial, Direito Constitucional e Direito Administrativo, todos pelas Faculdades Integradas Estácio de Sá, na Guanabara.

Em São Paulo, Geraldo lecionou no curso pré-vestibular "João Kople", onde destacou-se como um dos mestres mais queridos daquela escola. Nesse período, foi bastante expressivo o número da alunos do "João Kople" aprovados nos mais concorridos vestibulares.
Jovem idealista, buliçoso e ousado que era, Geraldo distinguiu-se como um dos mais combativos e tenazes líderes estudantis de sua geração. Quando presidente da União Estudantil de Garanhuns, fundou, ao lado de seus companheiros de lutas, a Casa do Estudante Pobre de Garanhuns (CEPG), cuja Pedra Fundamental foi lacrada pelo então prefeito da cidade, Celso Galvão. A partir daí, deu-se início às obras da Casa.

A CEPG tem por meta-síntese o velho sonho acalentado pelo primeiro presidente, Geraldo de Freitas Calado: a Garanhuns universitária, a Universidade Federal do Agreste Meridional de Pernambuco. A Casa do Estudante, que Geraldo ainda queria ver reconhecida pela União patrimônio histórico da humanidade, destina-se a ser o lar, o teto dos alunos da futura universidade.

Como justo reconhecimento pela sua gestão à frente da CEPG, Geraldo de Freitas Calado foi homenageado em solenidade na Câmara  Municipal de Garanhuns com um belíssimo Livro de Ouro, assinado por 985 estudantes garanhunenses, representados por uma comissão liderada por Rômulo Lins.

Era a consagração de um homem público que Plutarco, se vivo fosse,  certamente ficaria tentado a biografá-lo. Senão, vejamos: acaso não foi Geraldo o artíficie da consecução do terreno de 1034 metros quadrados onde se situa a Casa do Estudante? O edifício da Casa foi construído de modo que pudesse se elevar até a altura correspondente ao quinto andar e  dotado de dormitórios, refeitório, cozinha, almoxarifado e gabinete de leitura.

Geraldo transmitiu a presidência da Casa ao seu sucessor eleito, o padre e professor Edelzino de Araújo Pitiá, deixando as finanças da instituição acusando um superávit de CR$ 4.248,50.

Mas recuemos no tempo: em 3 de março de 1945, durante a ditadura do Estado Novo, foi realizado histórico comício pró-redemocratização na sacada da sede do "Diario de Pernambuco", no Recife. A manifestação reuniu líderes políticos oposicionistas de grande nomeada. Durante indignado discurso de Gilberto Freyre, o consagrado mestre das ciências sociais no Brasil, a polícia política dissolveu o comício a tiros. No incidente foi assassinado com um tiro na testa o estudante de Direito Demócrito de Souza Filho, de 24 anos.

Tal atrocidade tocou profundamente Geraldo, que,em Garanhuns, comandava o Movimento em Prol do Estado de Direito Democrático, apesar da sua tenra idade (movimento por ele fundado na Rua Santos Dumont nº 210). O menino de 12 anos não saía da frente do rádio, sintonizado nas estações do Rio de Janeiro (rádios Tupi, Tamoio e Mayrinque Veiga), durante as transmissões dos comícios. Tratou, então, de propagar, por toda a cidade, as mensagens em favor da liberdade de cada pronunciamento do apoteótico comício de 3 de março. Nessa época, Geraldo morava numa pensão ("de pessoas ilustres e conservadoras", recorda ele). Ainda assim,  defendia,  a normalidade democrática e o fim do nefado Estado Novo. Logo conhecido como o "Demócrito do Interior", Geraldo seguia os passos dos líderes da oposição em Garanhuns, como Francisco Figueira (mais tarde prefeito), e em Correntes, com Hercílio Victor, da União Democrática Nacional (UDN). Saía, lata de tinta e pincel à mão, à frente de outros garotos, escrevendo nos muros dos terrenos baldios as palavras de ordem contra a ditadura. Manoel Hélio Monteiro, da Academia de Letras de Garanhuns, lembra do estudante primário de 12 anos pregando a democracia: "Quantas e quantas vezes não o surpreendíamos, absorto, lendo em voz alta seus discursos, realçando, com apropriadas impostações de voz, aqueles trechos mais interessantes".

O traumático episódio do comício teve ser mártir (Demócrito) e foi decisivo para precipitar a restauração democrática do país. Gilberto Freyre diria depois, no artigo "Quiseram Matar o Dia Seguinte", do "Diário de Pernambuco" de 10 de abril de 1945: "Não há exagero nenhum em dizer-se que a 3 de março de 1945 a marcha dos estudantes da Faculdade de Direito ao Diário, de certa altura em diante, tornou-se para os mesmos estudantes quase uma nova marcha dos 18 de copacabana. Em vez de 18, 180. Demócrito foi a morte que teve: a de herói de Copacabana".

O lacre da pedra Fundamental da Casa do Estudante Pobre
de Garanhuns, aos sete de setembro de 1953, pelo Sr. 
Prefeito Dr. Celso Galvão, com a presença unânime dos
estudantes, patrioticamente desejosos de que ali, como
ação redentora, nascia a Casa do Estudante. Evento
concluído com discurso proferido por Geraldo de Freitas
Calado.
O ano de 1948 vai encontrar o jovem Geraldo de Freitas Calado à frente do Grêmio Cultural Ruber van der Linden. Engenheiro empreendedor, Ruber era um grande benfeitor da cidade e administrava a companhia de água e luz. O grêmio tratava-se de uma confraria literária que se reunia todos os domingos para discutir temas da nossa cultura. Geraldo debatia as  leituras que mais influenciavam com os colegas Erasmo Bernardino Vilela, Almir da Costa Campos, Rinaldo Souto Maior, José de Abreu, Osvaldo Zaidan, Mauro Lima, entre outros valorosos companheiros. Mourejou bastante até conseguir do Governo do Estado de Pernambuco (administração Agamenon Magalhães) uma sede para o Grêmio, na Rua Dantas Barreto, nº 188 (na mesma rua onde morava Geraldo e seus pais). As reformas no prédio cedido permitiram instalar ali a Sala das Sessões, a Sala de Expediente, além de uma biblioteca. Também foi conquista de Geraldo a consecução de verbas para as atividades do Grêmio Ruber van der Linden, junto ao então governador, Torres Galvão. Geraldo idealizou, ademais, a bandeira do grêmio, com a inscrição "Eloquentia et Sapientia"".

Nosso personagem passou às mãos do professor Erasmo B. Vilela a presidência dessa Casa de Cultura, com o caixa indicando um saldo positivo de Cr$ 6.600,59 e editando a publicação "O Grêmio", orgão oficial da entidade, com periodicidade mensal. Antes da presidência de Geraldo, iniciada no ano de 1952, o Grêmio se achava abandonado, praticamente desativado e funcionando num escritório da empresa de ônibus de João Tude de Melo,junto ao "Café Sandoval", na Avenida Santo Antônio.

Concomitante ao Grêmio Ruber van der Linden, a histórica missão para dotar Garanhuns de uma universidade não conheceu hiatos e tergiversações: o lançamento da Pedra Fundamental da Casa do Estudante Pobre de Garanhuns foi lançada em 7 de setembro de 1953, com a presença de inúmeras autoridades civis, militares e eclesiásticas. Nesse dia, todos os estudantes de garanhuenses, dos colégios Diocesano, Quinze de Novembro e Santa Sofia, uniformizados de branco, com o distintivo da União Estudantil de Garanhuns e acompanhados de banda de música, desfilaram pelas ruas da cidade até o terreno junto ao Parque Euclides Dourado, local cedido pela Prefeitura para abrigar a sede da CEPG. A "marcha branca", cujo passos cadenciados a ressoavam nos ouvidos de Geraldo, fez uma escala em frente à Prefeitura. Invadido pela emoção, o "Estudante-Presidente", como Geraldo era conhecido, discursou apaixonadamente na sacada da sede do Poder Executivo Municipal:"... em defesa permanente por novos setes de setembro, por muitos outros mais novos patriotas, pela consecução da  Universidade do Agreste Meridional de Pernambuco..." Geraldo pensava que o lugar ideal para a instalação das dependências da Universidade era o Hotel Monte Sinai, no bairro de Heliópolis. Graças a entendimento do então governador Etelvino Lins com o prefeito Celso Galvão, foi acertado a doação do hotel assim que o presidente Getúlio Vargas determinasse a instalação da Reitoria da Universidade.

O Inédito desfile de 7 de setembro de 1953 - Batizado pela Imprensa de "Marcha Branca", Patriótico evento
utilitário. Jamais acontecido em parte alguma do nosso Território Pátrio. Liderado pelo adolescente Geraldo
de Freitas Calado, Presidente da União Estudantil de Garanhuns - U.E.G. Em prol de novos 7 de setembro;
por muitos mais outros novos patriotas; pela consecução da Universidade Federal do Agreste Meridional
de Pernambuco, sediada em Garanhuns; e o lançamento da Pedra Fundamental da Casa do Estudante Pobre
de Garanhuns. "Geraldo de Freitas Calado".
Além de ser criador e seu grande dínamo, Geraldo foi o autor do Hino Oficial da CEPG, intitulado "Voz de Comando".

Uma Voz de Comando ecoou,
Da cidade, aos rincões mais distantes...
Garanhuns perfilou-se e marchou,
Ombro a ombro, com a grei d'estudantes.

É o porvir nossa esperança,
É o saber nosso fanal!...
Quem da luta não se cansa,
Sempre alcança o ideal.

Do estudante a casa se ergue...
Baluarte de Fé e de verdade,
De onde a jovem falange empreendeu
Marcha audaz pela Universidade.

Haveremos de ver realizados
Nossos sonhos e aspirações,
Pois são justos, humanos, sagrados,
De civismo são nobres lições.

O Brasil há de ouvir nossos brados,
E acolher-nos em seu coração,
Que também somos filhos amados
Desta rica e fecunda Nação.

Empunhando a bandeira de luta,
Não olhemos, sequer, para trás;
Sempre avante! Na nobre disputa
do saber, da justiça e de paz.

Nessa época. Geraldo de Freitas Calado não se deixava abater  pelas incompreensões. Uma delas vale ser recordada. Um delator denunciou os  diretores da União Estudantil de Garanhuns, U.E.G. ao Comando do IV Exército como "perigosos subversivos" e "verdadeiros agentes de Moscou". Somente viemos a identificar o delator, anos depois, em 20 de dezembro de 1955, precisamente 19 dias antes de nossa posse  como vereador do nosso município, através do honrado Major Mariano", conta a nossa reportagem.

Desde de 1953, o pai da Casa do Estudante de Garanhuns presidiu a UEG por quatro mandatos consecutivos, testado e aprovado em eleições democráticas. "Iniciamos o mandato consolidando aquelas nossas reivindicações pela consecução de abatimentos para a nossa classe junto aos consultórios médicos, dentários, hospitalares, livrarias, papelarias, lojas e casas de diversão", rememora Geraldo. Como presidente da UEG, conseguiu 160 bolsas de estudo a jovens carentes junto à União, ao Estado e ao Município.

Em 20 de outubro de 1956, em Assembléia Geral, presidida por Geraldo já vereador à Câmara Municipal de Garanhuns, a UEG aprovou os Estatutos da Casa do Estudante, cujo prédio estava em construção em meio aos eucaliptos do Parque Euclides Dourado. Com  a publicação dos Estatutos, em sua redação final, no Diário Oficial do Estado, esta instituição se emancipava da UEG e adquiria personalidade jurídica.

Em  15 de novembro de 1955, o eleitorado garanhuense conduziu o jovem líder estudantil de 21 anos a uma cadeira na Câmara Municipal. Foi eleito pelo Partido Democrata Cristão (PDC) numa campanha de uma pobreza franciscana. Mas rica de projetos que ansiava colocá-los no papel e na prática para minimizar o sofrimento da juventude necessitada.

Dando continuidade a sua pregação de missionário pela Garanhuns Universitária, Geraldo remeteu em 13 de setembro de 1953 ofício ao presidente Getúlio Vargas defendendo a causa que até hoje incendeia seu coração, junto as fotografias do lançamento da Pedra Fundamental da Casa do Estudante. O secretário do presidente, Lourival Fontes, enviou resposta ao presidente da União Estudantil de Garanhuns, informando que a correspondência de Geraldo foi encaminhada ao Ministério da Educação.
Geraldo continuou a se corresponder com o Governo Federal para saber da sorte da sua reivindicação. Mais de 50 anos passados, vemos que a ratio essendi de Geraldo (transmitida aos ministros do governo Vargas; do governo seguinte, de Café Filho, Cândido Motta Filho, do governo JK e João Goulart, sem falar dos governadores Etelvino Lins e Cordeiro de farias) continua atualíssima, a reclamar a melhor atenção dos atuais condutores dos destinos nacionais.

A fascinante abstinação de Geraldo de Freitas Calado seja pelas suas propostas no âmbito da educação, seja pelos seus pleitos em defesa da categoria dos procuradores federais, seja pela sua advocacia intransigente pela integração nacional, encheu de orgulho o poeta Lauro Cysneiros, de saudosa memória, que lhe dedicou as seguintes estrofes:

Alma jovem, repleta de ideais,
inda bem cedo, um sublime arcano 
o impeliu aos benéficos umbrais
do sagrado Colégio Diocesano.

Na cristalina fonte, argêntea e pura,
daquele educandário promissor
foi saciar sua sede de cultura,
do saber no santíssimo labor.

Trilhando a sua senda predileta,
atingiu, com seus dotes incomuns,
o primeiro degrau de sua meta:
"A União Estudantil de Garanhuns".

Alimentando sonhos aprazíveis,
representando um exemplo edificante,
venceu barreiras quase intransponíveis
e construiu a "Casa do Estudante".

Sempre lutando, denodadamente, 
promovendo o ideal a que se aferra,
pelo sufrágio e o amor de sua gente,
tornou-se vereador em sua terra.

Pelo amor que seu peito tanto encerra,
ao saber, à cultura e à humanidade,
quis dotar Garanhuns, a sua terra,
de um monumento, uma universidade.

Para lutar mais perto dos poderes,
sempre em defesa de ideais comuns,
foi cumprir, na Mauricéia, seus deveres
sem relegar ao olvido Garanhuns.

Matriculou-se, então, na Faculdade
e, com profundo e íntimo respeito,
busca a aprender, em prol da humanidade,
os sólidos fundamentos do Direito.

De jurista seguindo o seu destino,
foi exercer, com inteligência rara,
o mister do Direito, e um paladino
tornou-se na operosa Guanabara.

Eis, em traços ligeiros, sua estória,
exemplo vivo da melhor essência,
em que tremula a flama da  vitória
ante o esplendor da sua inteligência.

como vereador, "vereador dos estudantes", deixou como legado um sem-número de leis e iniciativas em favor de um melhor padrão de vida para os garanhuenses. Não resisto a anotar algumas delas: requerimento solicitando isenção das taxas de luz e de água da Casa do Estudante Pobre de Garanhuns, encaminhando à Secretaria Estadual de Viação e Obras Públicas; requerimento solicitando do Governo do Estado o pagamento de CR$ 28.025,00 referentes ao convênio firmado entre o Colégio Diocesano e a Secretaria de Educação e Cultura do Estado, para custear as despesas com as matrículas de 25 alunos, requerimento solicitando ao diretor-superintendente da Rede Ferroviária do Nordeste a não-extinção do Carro  Pullman do serviço de transporte ferroviário da linha Recife-Garanhuns; requerimento, aprovado pela Câmara, para conceder aos estudantes desconto nas passagens dos ônibus urbanos; resolução considerando de utilidade pública o Círculo Operário de Garanhuns; lei concedendo CR$. 12.000,00 à  Cooperativa Escolar Artur B. Maia; lei que concedeu crédito especial de CR$ 1.840,20 do orçamento municipal, para custear a retirada da documentação relativa à transferência escolar de aluno vindo do Colégio Ateneu cachoeirense do Estado do espírito Santo para o Colégio Quinze de Novembro, de Garanhuns ( o que acarretou despesas com reembolso postal que o estudante em questão não podia pagar...); projeto de lei, aprovado e sancionado, instituindo a Fundação Municipal de Casas Populares para construir moradias e famílias de baixa renda e também para o funcionário público desabrigado ("Conseguimos transformar em lei projeto de tal porte social, provando que o mocambo não é uma forma digna de vida e, sim, o aniquilamento físico e moral das famílias operárias. Para tais famílias reivindicamos o direito que lhes é mais sagrado, o direito de viver sob a paz social, na qual haja respeito pela dignidade humana", comenta Geraldo); lei concedendo crédito de CR$ 60.000,00 para a conclusão das obras da Casa do Estudante Pobre de Garanhuns; requerimento concedendo abono de Natal para os servidores públicos do município; indicação autorizando a Prefeitura a construir com urgência o cemitério do bairro de Heliópolis, devido a seu elevado índice populacional e indicação para que  a Avenida Santo Antônio seja remodelada "com a excelência da beleza arquitetônico, da funcionalidade e de conforto";  lei que isenta de impostos por 10 anos as indústrias nacionais e estrangeiras que se instalassem na cidade. Também graças à iniciativa do vereador Geraldo de Freitas Calado, segundo secretário da Mesa Diretora da Câmara, forma incluídas no orçamento da cidade  verbas para a liberação de 80 bolsas de estudo para alunos reconhecidamente pobres. Além disso, foi um dos mentores intelectuais da criação da bandeira do município de Garanhuns, resultado de meticulosos estudos do professor João Dias, do Colégio Diocesano (que descobriu uma ave que sobrevoava os céus de Garanhuns chamado guará, que influenciou, junto com outras palavras de origem tupi, a etimologia do vocábulo "Garanhuns").

Nessa legislatura, presidia a Câmara Municipal o vereador Luiz Pereira Júnior, já falecido. O prefeito da cidade cujo clima de montanha lembra o de Campos d Jordão (SP) era Francisco Figueira, cujas virtudes de homem público e largueza de visão Geraldo de Freitas calado não se cansa de reconhecer. Governava o Estado o General Cordeiro de Farias.

Deve-se também a Geraldo de Freitas Calado a fundação e desenvolvimento do Grêmio Cultural Castro Alves, no ano de 1958, sediado num tradicional sobrado da Rua Aurora, próximo da  frequentada Sorveteria Gemba,  na Recife plasmada pelo arrojo de Nassau. Memoráveis encontros se realizaram nesse cenáculo, como uma conferência do legendário ator e teatrólogo Procópio Ferreira. Em mais um quadrante de sua vida, Geraldo mostrou-se um agitador cultural de boa cepa, vocacionado para as artes e para as ciências.

Geraldo de Freitas calado faleceu em maio de 2008, no Rio de Janeiro. Foi enterrado no Cemitério São João Batista. Exercia o cargo de Procurador Federal.
(Fonte da Pesquisa: Livro "Geraldo de Freitas Calado: Um Semeador de Sonhos", do Escritor Fernando Jorge - ano de 2007). 



Wednesday, May 29, 2013

33 ANOS DA EXPLOSÃO NA AVENIDA SANTO ANTONIO


Avenida Santo Antonio  logo  após a explosão.

Tudo começou às oito horas e trinta minutos de quinta-feira, dia 05 de junho de 1980, a barraca de vender  fogos pertencente  ao senhor Protásio  Gomes Azevedo, conhecido por Tarzinho, motivada  por um  curto  circuíto  na instalação  elétrica, explodiu e em menos    de dez segundos  também explodiu    a outra barraca  pertencente ao senhor  José Alves  da Silva  Filho, conhecido por José Barroso.
Ambas as barracas de vender fogos foram armadas sobre a marquise que serve de cobertura para o Bar "O Colunata".  A explosão provocou um deslocamento de ar num raio de ação de mais ou menos quinhentos metros, cujo impacto arrancou o teto de várias casas comerciais localizadas na Avenida Santo Antonio, quebrando as vidraças e portas de várias delas.
A mais atingida foi a Veneza Americana, pertencente ao senhor Silvio Apolinário que teve as portas arrancadas e as mercadorias totalmente danificadas.

O setor bancário também sofreu terríveis danos, sendo que o mais atingido foi o Banco do Brasil que teve o forro de gesso dos dois andares totalmente danificados, dando a impressão de que havia sido decorado para uma baile de São João.
O Cinema Jardim que ficava localizado na praça do mesmo nome, teve o forro da marquise e do salão de espera também destruído. A placa de cimento armado a ferro que cobre os boxes ficou parcialmente destruídos.
Na catástrofe morreram quatro pessoas e trinta e oito ficaram feridas. Esta foi a segunda maior catástrofe acontecida em Garanhuns. A primeira foi a Hecatombe de 1917, por questões políticas, tendo morrido na ocasião mais de dez pessoas. Nesta calcula-se uma prejuízo de aproximadamente cinquenta milhões de cruzeiros. O Prefeito Ivo Amaral ao ter conhecimento do lamentável acontecimento comunicou-se imediatamente com o Governador do Estado e todas as Secretarias de Governo. Meia hora depois do acidente a Avenida Santo Antônio ficou sob controle das autoridades que tomaram todas as providências necessárias ao socorro às vítimas para evitar incêndio nas casas comerciais e bancos.
É conveniente se ressaltar o trabalho desempenhado pelo 71º B.I. e 4º Companhia de Polícia que imediatamente enviaram seus soldados e num trabalho constante amenizaram o sofrimento de todas população.

Também prestaram inestimáveis socorros a Prefeitura desta cidade que por determinação de Ivo Amaral foram colocados em ação todos os engenheiros, trabalhadores, secretários e os veículos do município, a Câmara Municipal, a Rádio Difusora que num trabalho de esforço e profícuo tranquilizou a população, a Celpe que imediatamente procurou através de seus eletricistas, consertar a rede de energia, prefeitos da região que vieram se solidarizar com o colega chefe do executivo local e o povo em geral que num espírito de solidariedade não saiu da praça durante todo o dia.
Garanhuns viveu naquela quinta-feira, dia Corpus Christi, o mais terrível drama de sua história. A nossa população de cento e vinte mil almas ficou totalmente traumatizada.

Por volta das 13:30h chegou a esta cidade o Governador Marco Maciel, acompanhado dos Secretários José Tinoco, da Secretaria de Trabalho e Ação Social, Djalma Oliveira, da Secretária da Saúde e vários assessores do Governo.
Na ocasião e no local do sinistro o Governador Marco Maciel prometeu toda ajuda necessária as vítimas e aos que sofreram danos material.
(Reportagem do Professor e Jornalista José Rodrigues da Silva(saudosa memória), para o Jornal "O Monitor" em junho de 1980 - Foto: Avenida Santo Antônio após a explosão).

Tuesday, May 28, 2013

SOUTO FILHO: O POLÍTICO E AS SUAS RAÍZES

Do poder, meu pai não sentiu jamais o desvarío, nem o considerou um bem de raiz.
Da sua tolerância, da moderação e da compreensão humana fizeram dele um autêntico líder.
Ele soube ser digno de si mesmo e foi grande em tudo: na força do seu talento, na resistência do seu caráter e nas dimensões do seu coração.
Procurava na medida do possível, atender a todos que lhe solicitasse ajuda, e as mágoas acumuladas após a Revolução de 1930, nunca o deixaram negativista ou revoltado.

Sempre sereno e dócil, meu pai jamais guardou ressentimentos, nem mesmo dos mais ferrenhos adversários. Minha mãe, habitualmente comentava que ela demorava mais a esquecer as agressões e injustiças, feitas ao meu pai, do que o próprio.
O meu pai tinha virtude de se apiedar dos ingratos, de esquecer a fraqueza dos pérfidos e de perdoar os frustrados e desleais.
Embora muito criança, nunca descobrí no semblante de papai, um vestígio sequer de mágoa recalcada. Tudo nele, nos gestos, na postura, no falar manso, retratava um espírito desarmado, face às muitas decepções e desencantos, que um homem público enfrenta.
Conhecera os mais recônditos escaninhos da nossa história política enquanto viveu. 
Guardo dele, essa imagem de homem e de pai cheio de candura.A força das suas raízes de homem do agreste, nunca lhe arrefeceram o ânimo.
Foto: Souto Filho, D. Chiquita com os filhos Souto
Neto, Esther e Gerusa (no colo), e a Professora
Celeste Dutra, na casa do Praça Dom Moura, 44.
Garanhuns, a sua muito amada Garanhuns nunca deixou de lhe representar a terra da promissão e era com o nome da sua terra natal nos lábios, que lhe sentíamos a alegria de viver e lutar. Era inexcedível o seu amor filial, o seu carinho por Garanhuns, para onde encaminhou todos os seus pensamentos e ações no decurso de uma vida orientada no sentido do bem público da sua terra. Conseguiu oficializar os primeiros colégios de Garanhuns, pois achava que educação e instrução de um povo, representavam a principal meta de progresso.
Ele jamais fez política baixa,de perseguição ou de corrupção, nos legando um nome acima de qualquer suspeita. Quando se encontrava na sua função de Curador Geral de Órfãos e Interdictos, zelava com maior probidade e lisura, sobre os bens dos orfãos e doentes mentais.Zelava como fosse o próprio pai deles, nos seus interesses.

Ele possuía como poucos, o sentimento da moralidade, que todo homem público deveria ter, pois hoje vivemos uma inversão de valores.O julgamento histórico de um político, não é o que passa, é o que fica.

Certa vez, o Governador Carlos Lima Cavalcanti, que era seu adversário político, mandou através do líder do seu governo, convidá-lo para um encontro, ou audiência no Palácio do Governo.
Prontamente, Papai retrucou ao emissário, que no Palácio, ele não poria os seus pés, mas, que poderia receber sua excelência, em sua residência. O Governador compareceu à nossa casa e longamente conversou com meu pai, às portas fechadas. Mamãe mandou o nosso copeiro servir cafezinhos e sucos de frutas na sala.


Papai que consumiu grande parte da sua existência, exercendo mandatos políticos, com exemplar dignidade e discrição, se  vivesse nos tempos atuais, classificaria de acinte à pobreza, as mordomías de nossos Três Poderes. Modesto e simples, não gostando de ostentações, logo porém, se fazendo respeitar e admirar por seu comportamento irrepreensível. Homem plural, estendeu seu zêlo e afeto da família para a grande família maior: seus correligionários, seus seguidores.

Filho modelo e dedicado aos pais, também o foi às suas irmãs: Marieta, Alice, Amabilia e Euridice. Ele era o filho do meio,  mais moço que Marieta e Alice e mais velho que Amabilia e Euridice.
Antes de tudo, meu pai foi um telúrico, amou profundamente sua gente, sua terra, suas raízes.

Já dizia Oswaldo Aranha, que cada homem carrega sobre seus ombros a sua geografia. Papai tinha o seu universo, do qual, eu infelizmente tão pouco participei. Meu pai nunca se desligou das suas origens, dos seus princípios e valores morais. Pela vida afora, nunca deixamos de ser o que somos.

A sua trajetória política foi pontilhada de sucessos, mas também de ostracismo, após a Revolução de 1930. Os seus 26 anos de vida pública, iniciada aos 25 anos de idade, deixou marcas onde passou, pela sua vida limpa, honrada e acima de tudo por um espírito conciliador. Nunca subjugou ou tripudiou sobre o vencido. Foi um verdadeiro democrata, um autêntico liberal e amigo dos seus amigos.

As nossa idas a Garanhuns, em fins dos anos vinte, eu ainda tão pequena, mas, suficientimente precoce, para me recordar de alguns detalhes e acontecimentos. Todos nós, Papai, Mamãe e os meus dois irmãos mais velhos, usávamos guarda-pós para nos livrar da poeira que a locomotiva levantava, já que naquela época, não havia estradas de rodagem asfaltadas.

A estação de trem de Garanhuns, regorgitava de gente com a chegada do seu chefe político. A Banda de Música do maestro Francisco Ribeiro e Silva, tocava apresentando as boas vindas aquele homem, um dos legítimos representantes do Estado no parlamento. Fogos eram lançados sob a direção do Sr. José Francisco Ribeiro e Silva, mais conhecido como José Fogueteiro.

A minha Babá Celina, impecável no seu uniforme, com avental engomado, me tirava da plataforma, receiosa dos empurrões, com a multidão se comprimindo em torno de Papai ao receber os primeiros cumprimentos dos parentes, amigos e eleitores.

Rumávamos em seguida para a nossa casa, situada na Praça Dom Moura, número 44 na época uma das mais bonitas e confortáveis casas de  Garanhuns. Não tínhamos nenhuma mordomia, apenas um Cabo da Polícia Militar a mandado do delegado local, Nelson Leobaldi, que ficava em nosso portão como segurança, que naquela época se  chamava ordenança. Papai nunca solicitou do Delegado essa regalia, que adotava por livre e espontânea vontade. A casa possuía espaçosa varanda, porão habitável, onde meu pai instalou seu gabinete. Parece que estou a vê-lo, guarnecido com lindos móveis de jacarandá e uma mesa redonda com tampo de mármore, decorada com estátua de bronze, que hoje pertence ao meu irmão Souto Neto.  Mamãe, esmerava-se em trazê-la numa ordem perfeita.Não consentia que riscássemos o polido assoalho, nem que espalhássemos brinquedos pelos cantos. Brincávamos no porão e no jardim, muito florido e tratado.O clima privilegiado da montanha contribuia para a linda floração.No porão Papai tinha o seu gabinete onde recebia todas as manhãs os seus correligionários e amigos particulares.

Quantas lembranças, me trazem à casa 44 da Praça Dom Moura. As férias naquela espaçosa casa, eram de excepcional deslumbramento. Naquela atmosfera de lar, recebíamos pessoas ilustres do governo, amigos e  parentes, que iam usufruir dos bons ares de nossa Garanhuns.

Lembro-me, que, ao entardecer algumas vezes, meu pai percorria a pé, as ruas de Garanhuns, andando a frente dos seus correligionários e amigos. Ele ia em primeiro plano e os demais o seguiam. Observava à distância e apesar da minha pouca idade, os identificava: Severiano Moraes, Euclides Dourado, Sales Vilanova, Abdias Branco, João Café, Godofredo de Barros, Antônio Brasileiro, Joaquim Branco, Luiz Guerra, Urbano Vitalino e outros que  não me ocorrem no momento.

Que pai seria aquele, que marcava uma época e uma presença naquela cidade, que ele tanto amava? A política é uma atividade coletiva e papai, chefe político o devia também aos seus seguidores, correligionários e fiéis amigos. O líder era ele, que sabia bem dirigir os seus liderados. Naqueles tempos já tão distantes, não poderia avaliar o peso da sua influência política no Estado.

Os amigos eram muitos em Garanhuns, no Recife e no Rio de Janeiro, porém os fraternais e mais chegados eram Eurico de Souza Leão, Elpidio Branco, Maviael do Prado, Tomaz Lobo, Arnaldo Bastos, Júlio Santa Cruz, os compadres Fábio Maranhão, José Eustáquio da Silva e Silviano Rangel Moreira, Caraciles Leite, Francisco Pereira, sem esquecer os primos Soriano Furtado, Francisco Furtado Neto e João da Silva Souto, o nosso saudoso Bida, e relembrando também no Rio, Francisco Pessoa de Queiroz, Cristovão Xavier Lopes, deputado José Braz, filho do ex-Presidente Wenceslau Braz e o Senador Jones Rocha, de São Paulo.

Meu pai, nascido na então Vila de Brejão, que pertencia a Garanhuns, na Fazenda Frexeiras, era descendente direto do casal Micael d'Amorim Souto e Maria Paes, que habitava em 1706, o Sítio Môchila, tronco origem da mais antiga família garanhuense, de onde vieram apesar de sobrenomes diferentes: os Soutos, os Rodrigues,os Gueiros, os Furtado, os Barros, os Vaz da Costa, os Vilela e os Paes. Denominavam-se de Môchileiros todas essas famílias, oriundas do casal d'Amorim Souto e Maria Paes.(Fonte da Pesquisa: Livro Memórias de Amor de Gerusa Souto Malheiros).

Monday, May 6, 2013

GARANHUNS - A ENEVOADA PÉROLA FUGIDIA

Marcilio Reinaux - Fevereiro/1981


Adicionar legenda


Garanhuns
de Simôa Gomes,
dos Guarás e de
Brasiliense Maia,
cantando o canto dos Anuns.

De Luís Jardim
com flores no seu nome,
dos Vilela, dos Vitalino,
dos Dourados, dos Gomes,
dos Reinaux's e dos
Gueiros.

Garanhuns
das flores, de
José da Costa Leite, de
Geronço Albuquerque, dos
amores, de Espiridião,
de Abdias Branco, de
Ferreira Costa e
Antonio Paulo.

Garanhuns, 
dos Maia, dos Moura, do
frio e da serração e
da saudade no coração.
Da cantoria de Manoel Teles,
de Osires Pedrosa e Polion,
de "Meu Lôro" e de
Euclides Dourado.

Garanhuns, 
dos Van der Linden,
de Godofredo Barros e de
Tavares Correia, dos
Pintos e dos Cardoso,
do Pau Pombo, dos
Eucalíptos, e dos
Tavares de Lira.

Garanhuns, de
Dom Mario Vilas Bôas, de
Dona Cecilia Rodrigues, do
Colégio 15 de Novembro.
Do Ginásio Diocesano do
Padre Adelmar Valença,
de Ageu Vieira, de
Monsenhor Calou.

Garanhuns,
dos Pereira, dos Almeidas,
dos Cabrais, da feira e
do Trem. Do carrossel nas
noites de festas, dos
americanos missionários,
Thompson e Taylor.

Garanhuns,
do Magano solitário
em noite de garôa,
da professora Nisia Caldas,
da Rua da Areia, e da
Rua do Recife. Do Mundaú,
do Pau Amarelo,
da Vila Regina e
da Serra Branca.

Garanhuns, 
do frio na pele e calor
no coração. Terra de Simôa,
no Monte Sinai
de Alfredo leite e
Manoel Gouveia, de
"Seu Guarda", "Pola" e
"João do Ovo".

Garanhuns, de
José Francisco, de
Uzai Canuto,
do Brejo das Flores,
de João do ìndio, do
Café Glória, de Siloé
e de Seu Belarmino,
e de Zé de Souza.

Garanhuns, de
Seu Matos, do Armazém do Gato,
de João Burrego e da
Loja "Atrativa", da
Praça João Pessoa, e da
Praça Dom Moura.
Do cabaré "Rosa Branca"
e de Maria Pé de Bicho"
e de "Maira Boi Brabo".

Garanhuns, 
de Mario Matos, dos Godoy,
de Aloisio Cabral, e de
Carlos Borba. Dos Morais
de Chico Leal,
do Padre Tarcísio e 
de Antonio Eutímio.

Garanhuns de
Henrique Câmara o
Coletor Federal, das
Novenas, do Santa Sofia,
do Hotel Petrópolis e
do Sanatório.
Do Mulungú e da
Gruta D'água.

Garanhuns,
dos Guarás e dos Anuns
de Vadô e Yaponam, de
Heloisa e Augusto Pinto,
da Estação, e da "Sopa",
do "Trivulim" e do
Capote Serrano.

Garanhuns,
do Cabo Cobrinha,
da Hecatombe, das
Serestas dos Seresteiros,
dos pedintes de feira,
Das frutas maravilhosas,
E do cinema seriado.

Garanhuns do
Doutor Lito, de
Urbano Vitalino, do
Dr. Oswaldo Medeiros.
De Duda Deletiere, de
Dona Elisa Coelho, de
"Seu Augusto" e da
"Nega Gente".

Garanhuns, 
de tudo e de todos,
do Tinô e dos Tinocos,
Do mudo da estação,
Do restaurante Raul Monte,
Da Rua Dom José,
Da Boa Vista.

Garanhuns,
Enevoada Pérola Fugidia,
Garanhuns das Flores
Garanhuns dos meus amores.
(Fonte da Pesquisa: Livro "Garanhuns a  enevoada pérola fugidia", de Marcilio Reinaux).


Monday, March 11, 2013

GARANHUNS DE VILA À CIDADE

Gonzaga de Garanhuns

Gynásio Diocesano em 1927




Garanhuns quando surgiu
Pra se dizer a verdade
Não é contado da data
Que se elevou-se a cidade
Mas quando passou a vila
É essa a realidade

1811
Pela Carta Régia então
Isso aos 10 do mês de março
Deu-se sua elevação
De povoado pra vila
Bem feita com precisão

Por Vila de Santo Antônio
De Garanhuns na verdade.
Ficou sendo conhecida
Com toda realidade
Pelo desenvolvimento
E mais autencidade

Após mil oitocentos
E onze é que é contada
A data em que Garanhuns
Se firmou bem na estrada
Dessa data por diante
A vila foi promulgada

O Governador da época
De Pernambuco não minto
Da época era o atual
O Sr. Caetano Pinto
De Miranda Montenegro
Que elevou o recinto

Conhecida como vila
De Santo Antonio ficou
E a vila foi crescendo
De crescer nunca parou
Depois de 68
Anos cidade tornou

Mais tarde por incentivo
E muita boa vontade
Do Barão de Nazaré
Que sugeriu de verdade
De elevar Garanhuns
A carácter de cidade

Era Silvino Guilherme
De Barros senhor de fé
Deputado provincial
O seu nome tá de pé
O famoso cidadão
O barão de Nazaré

Em um oito sete nove(1879)
Aos 04 de fevereiro
Foi elevada a cidade
Este torrão agresteiro
Tendo mais um município
Em nosso chão brasileiro

Garanhuns não teve data
Digo de emancipação
Porque nunca pertenceu
A outra cidade não
Ou a outro município
De nenhuma região

E também de região
Pois eu falo abertamente
A fundação da cidade
Deu-se gradativamente
Essa por Simôa Gomes
Bem assim foi realmente

Desde pois a doação
A irmandade doada
a irmandade das almas
Que esta terra foi dada
Dai começou aos poucos
A cidade ser fundada

E assim foi se elevando
De sítio pra povoado
De povoado pra vila
O lugar foi elevado
Até chegar a cidade
O título que foi lhe dado

Para se explicar melhor
Fundação nunca se deu
Também emancipação
Dela nunca se ocorreu
Pois que a outro município
Garanhuns não pertenceu

Em mil e oitocentos
Setenta e nove e mais nada
Ao caracter de cidade
Garanhuns foi elevada
Emancipada não foi
E nem tão pouco fundada

Agora elevada sim
A verdade tá de pé
Nossa cidade até hoje
Ela sempre foi e é
Graças o forte da lei
E ao Barão de Nazaré

Antônio da Silva Souto
Foi seu primeiro prefeito
Em três anos de gestão (1892-1895)
Fez um trabalho direito
Pela sua dignidade
Seu trabalho foi aceito

Foi criada a diocese (02/08/1918)
D. Moura foi o primeiro
Bispo que aqui chegou
E mostrou ser verdadeiro
Pregador do evangelho
De Jesus Cristo altaneiro

Garanhuns sempre cresceu
Pois todos fiquem sabendo
A mesma pelo progresso
Pois foi se desenvolvendo
E cada dia que passa
O progresso vai crescendo

A cultura do café
Se expandiu na região
Cebola também mamona
Erva doce e algodão
A pecuária era farta
Milho, mandioca e feijão

Veio a luz de Paulo Afonso(Década de 50)
Que iluminou a cidade
O trem já tava algum tempo (1887)
Que trouxe prosperidade
Trazendo força e progresso
Pra essa localidade

Surgiram também colégios
Para os jovens educar
Surgiu o Colégio XV (1900)
De grandeza exemplar
Também o Santa Sofia (1912)
Colégio espetacular

Surgiu o Diocesano (1915)
Com grande potencial
O outro que surgiu foi
O ginásio do Arraial (1956)
Pois estes quatro colégios
Dera o passo inicial

Garanhuns tá bem servida 
No setor de educação
Com colégios e escolas
E faculdades padrão
Que enfatiza seu povo
Com atual formação

Como também noutras áreas
As de turismo e cultura
E na comunicação
Garanhuns tá na cultura
Por isto nossa cidade
É uma beleza pura

Nos seus grandes festivais
Como o festival de inverno
E o festival do JAZZ
Esse festival moderno
Na história da cidade
Tão escrito no caderno

Seus belos pontos turísticos
Cada qual mais belo e fino
Seu belo nascer do sol
No alvorecer matutino
Bem mais belo seu ocaso
No entardecer vespertino

As suas flores tão belas
Coloridas perfumadas
As belezas graciosas
Das mulheres são formadas
São belezas ofuscantes
A elas depositadas

Garanhuns sempre cresceu
Em progresso e bem estar
Esta cidade serrana
É um modelo exemplar
Suas águas cristalinas
E suas sete colinas
Fazem em tudo admirar.